A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/01/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o problema do analfabetismo no Brasil, que tem impactado até mesmo o campo digital. Dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se necessário a análise dos fatores que favoressem esse quadro.
Em uma primeira análise, é fundamental pontuar a ausência de medidas governamentais de combate ao analfabetismo digital. Nesse sentido, há uma quantidade considerável da população que, mesmo conectada durante várias horas por dia na internet, não tem formação adequada para julgar os riscos relacionados ao conteúdo acessado ou a veracidade da informação recebida pelo meio virtual. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre seu papel de garantir que os cidadãos usufruam de direitos indispensáveis, como à educação, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é imperioso apontar a baixa qualidade do ensino de informática nas escolas como impulsionador do analfabetismo digital no Brasil. Segundo reportagem de maio de 2015, da revista Guia do Estudante, o problema do ensino de informática nas escolas brasileiras é precário em quase toda a rede pública, com excessão dos colégios de aplicação e institutos federais, que representa uma parte muito pequena do ensino público. Diante de tal exposto, fica claro que a escola não é aproveitada como agente transformador, ela não forma pessoas aptas a interagir com meios digitais, tolhendo o papel que o aluno desempenhará na vida em sociedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio das secretarias municipais de educação, reformule a diretriz pedagógica utilizada nas escolas, contrate novos professores de informática e educação digital capazes de implementar na sala de aula essa nova matriz curricular, a fim de instruir, ainda no ensino fundamental, pessoas mais capazes de lidar com ferramentas virtuais e de se posicionar de forma mais crítica e independente em ambientes digitais. Assim se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, como afirma John Locke.