A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Platão, filósofo grego, afirmou, por meio do Mito da Caverna, que o conhecimento na Terra são sombras e defendeu uma investigação filosófica na busca e apreensão da realidade. No século XXI, alguns temas ainda reforçam essa ideia. A reflexão em torno da questão do analfabetismo digital no Brasil é imprescindível. Sobre esse aspecto, convém analisar os impactos do problema na sociedade e como solucionar o desafio com o intermédio educacional do Estado.
Em primeira análise, é notório que cidadãos não letrados são prejudicados em larga escala na vida em sociedade. Assim, a obra “Central do Brasil”, aborda o tema em uma estação, na qual, uma mulher letrada envia cartas para pessoas sem letramento. Desse modo, fora das telas, infelizmente, o problema é real com dados do IBGE que evidenciam 11 milhões de analfabetos no Brasil em 2020. Nesse contexto, a comunicação, ofertas de emprego, ascensão social, criação de senso crítico e acesso a novas tecnologias ficam prejudicados, o que impacta diretamente a qualidade de vida, não só do cidadão, mas também de sua família.
Em segunda análise, uma falta de infraestrutura em regiões como o norte brasileiro em conjunto com o pouco auxílio a adultos que busquem o retorno aos centros acadêmicos perpetuam o desafio. Nessa perspectiva, segundo o pensador Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar uma realidade. Entretanto, apesar de estar presente na Constituição Federal de 1988, em vez de um direito, o ensino se tornou um privilégio, haja vista o alto índice de analfabetismo presente no território. Ademais, o pouco desenvolvimento do interior, por exemplo, o norte brasileiro, está diretamente ligado ao problema, já que em diversas regiões, além de escolas, não existe distribuição de internet e centros acadêmicos voltados ao ensino de como utilizar novas tecnologias presentes no mundo. Além disso, a falta de bolsa de permanência dificultam a busca pelo conhecimento de adultos devido a desigualdade brasileira e a necessidade de sobrevivência.
Logo, é inadmissível que o analfabetismo digital continue a pendurar.Depreende-se, portanto, a necessidade de se identificar esses obstáculos.Para isso, cabe ao Ministério da Educação, aliado ao Ministério do Desenvolvimento Regional, a criação de um projeto estrutural e educacional, por meio do investimento na criação de escalas em todos os municípios do país em conjunto com a disponibilização de cursos de inserção digital nessas academias, na qual, não só haverá contratação de profissionais e será oferecido laboratórios para o ensino, mas também bolsas permanência a todos que se destacam em situação de vulnerabilidade social.Com isso,o programa abrangerá a todos os brasileiros melhorando a qualidade de vida e a reflexão proposta por Platão atingirá seu objetivo.