A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/01/2021

Nelson Mandela costumava dizer que a educação tem o poder de mudar o mundo. Embora esta frase seja inspiradora, no contexto da Indústria 4.0 promover o acesso democrático aos recursos computacionais e tirar do analfabetismo digital as milhões de pessoas no Brasil que vivem nesta condição é um enorme desafio. Não obstante, o analfabetismo digital no Brasil deve ser analisado, combatido e mudado.

Primeiramente, deve-se salientar que as raízes do analfabetismo digital no Brasil estão intimamente ligadas à desigualdade social. Segundo o IBGE, as regões Sudeste e Sul concentram os domicílios com maior acesso a recursos computacionais e conexão com a internet. Mas, esta relação se inverte nas regiãoes Norte e Nordeste, com menor acesso aos computadores e com dificuldades de conexão. Demonstra-se assim, que o acesso aos recursos digitais não é igualitário no Brasil e relaciona-se com as desigualdades sociogeográficas do país. Além disso, o IBGE aponta que regiões rurais tem maior dificuldade de acesso em relação a zonas urbanas, evidenciando novamente o carater econômico da distribuição de acessibilidade digital, uma vez que os provedores de serviços de banda larga privilegiam regiões com maior potencial de mercado consumidor e lucro.

Não se limitando a questões sociais, o analfabetismo digital no Brasil relaciona-se ainda com a maneira como estes recursos são utilizados. Segundo a plataforma de emprego Linkedin, uma das áreas com maior carência de mão de obra especializada no Brasil é justamente nas áreas relacionadas ao desenvolvimento de “softwares” tais como desenvolvedores em JAVA, “Big Data” e C++. Embora este mercado de trabalho seja promissor e nem sempre exija curso superior, a disponibilidade de cursos que contemplam estas áreas não tem abrangência social. Ainda mais, o ensino das bases fundamentais para adquirir estas habilidades, como o ensino de algoritmos e noções fundamentais de linguagem computacional, não figura na gigantesca maioria das escolas públicas mesmo estando previsto na Base Comum Curricular do MEC. Logo, não se trata apenas de uma questão de falta de resursos físicos mas também de fornecer ferramentas para transformar estes recursos em utilidades.

Portanto, para combater estes desafios e transformar o Brasil, é fundamental superar o analfabetismo Digital. Neste tocante, o Ministério da Educação tem papel fundamental e deve implementar campanhas de instrução digital além de forncer recursos físicos para uma maior abrangência social em regiões carentes destes recursos. Isso deve ser feito por meio de parcerias público privadas e utilizando recursos como o ensino a distância. Além disso, deve ser implementada uma diretriz comandando este ensino em escolas públicas. O efeito desta iniciativa será prover educação de qualidade e cidadania.