A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 06/01/2021

Na Grécia Antiga, a partir das discussões realizadas em praça pública - nomeada como Ágora - surgiu a doutrina democrática, a qual, na contemporaneidade, angariou novas configurações. Com isso, surge o conceito de “ciberdemocracia”, onde os indivíduos podem exercer sua natureza aristotélica, aquela que dispõe do caráter político de todo o homem, por meio da tecnologia. Diante dessa perspectiva, o cidadão que desconhece os mecanismos de uso das ferramentas virtuais, torna-se excluído, impelido de exercer sua cidadania. Nesse contexto, faz-se imprescindível uma análise dos entraves, ora de governabilidade, ora social, para que ocorra a dissolução do analfabetismo digital no Brasil.

Mormente, ao observar essa exclusão por uma ótica governamental, percebe-se que a inação pública atua em seus moldes. Isso porque, em consonância ao princípios fundamentais da Constituição Federal, é dever do Estado assegurar o direito à educação. No entanto, nota-se que, hodiernamente, esse estatuto não está sendo executado, haja vista a dificuldade dos indivíduos em se ambientar virtualmente. Isso ocorre, sobretudo, por causa do déficit em educação tecnológica, uma vez que o filósofo Kant já discorria: ”Se existe um problema na sociedade, há uma lacuna educativa”. À vista disso, torna-se indispensável a construção de políticas que preconizem a lógica de Kant.

Outrossim, é importante destacar que a eficácia das providências públicas está intrínseca à construção de uma cultura, a qual mitigue o preconceito referente ao meio digital. De acordo com  o sociológo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar. Sob esse viés, observa-se que o mito acerca da dificuldade de utilizar os mecanismos virtuais pode ser inserido no pensamento do sociólogo, ao se considerar que, se o cidadão vive em um ambiente que hostiliza tal, tende a adotar o mesmo comportamento. Logo, tem-se por necessária a criação de uma mentalidade que beneficie o uso dos instrumentos tecnológicos.

Portanto, faz-se imperativo que esses entraves sejam solucionados. Logo, urge que o Ministério da Educação - órgão responsável pela construção dos conhecimentos dos cidadãos - exerça a educação eletrônica desde a tenra idade, por meio do anexo da disciplina de “informática” no conteúdo programático estudantil, a fim de que os alunos tenham contato com computadores e aprendam a utilizá-los no cotidiano. Destarte, isso gerará uma sociedade instruída e isenta de quaisquer hostilidades referentes a esse ramo científico, desmitificando os pensamentos que impediam o progresso. Assim, a “Ágora Virtual” tornar-se-á constitucional, pois, como disse o sociólogo Pierre Levy: “Os destinos da democracia e do ciberespaço estão amplamente ligados”.