A questão do aborto no Brasil
Enviada em 12/10/2020
Extremo porém paralelo, a situação ideológica mundial da Guerra Fria ilustra bem a dualidade de ideias quando o assunto é aborto no Brasil: complexa e não solucionada. O fato é: essa questão impacta o país e é preciso discuti-la. A prioridade é o bem estar coletivo sobre qualquer coisa, pois este é o mais prejudicado em qualquer situação. Porém, é discutível também até que ponto é correto a liberação da prática, considerando o contexto moral da constituição atualmente. Em contrapartida, vê-se arrogância e ignorância em inúmeros discursos, os quais preocupam-se em estar corretos na palavra, mas que nada têm a acrescentar na solução do impasse.
No Brasil, segundo dados interpretados dos Sistemas de Informação sobre Mortalidade (SIM), Nascidos Vivos (Sinasc) e Internação Hospitalar (SIH), entre 2006 e 2015 houve 770 óbitos maternos confirmados como aborto sendo a causa oficial. A principal causadora desse problema é a clandestinidade dos métodos abortivos populares, já que, por lei, o aborto não é legalizado salvo poucas exceções. Um fator que impulsiona esses dados é a desigualdade econômica e de informação, que se mostra sempre presente no país. Em oposição, os autodenominados pró-vida alegam que o ato é moralmente errado e deve ser evitado em qualquer circunstância. Em sua maioria, religiosos extremistas.
É inegável a influência cristã na constituição e no sistema legislativo e judiciário, bem como na mentalidade popular. Se pensa-se em bem estar coletivo, além da necessidade de meios para a diminuição dos óbitos e dos conflitos familiares, é real a insatisfação geral se a legalização fosse completa e imediata, tendo em vista os princípios da massa. “Os extremos são vícios, no meio deles é que está a virtude”, já dizia Aristóteles, seguindo o raciocínio da necessidade de harmonia entre a moral e a liberação.
Destarte, em paralelo à lógica discutida, nota-se a necessidade de medidas mitigatórias para barrar o crescimento do impasse do aborto no Brasil, bem como manter a satisfação popular e induzir a educação geral. Por isso, o poder legislativo deve movimentar-se em favor da liberação gradual do aborto, começando pelo afrouxamento das exceções impostas e aumento do período legal. Seguindo essa mudança, o Governo Federal deve induzir os governantes a construir hospitais especializados nisso. Consequentemente, o Ministério da Saúde faria propagandas de conscientização popular a respeito de métodos contraceptivos e educação sexual. Essas medidas têm o principal objetivo de, enquanto houver a flexibilização do aborto, educar a população para que diminuam-se os casos de gravidez indesejada, até o ponto que abortos seriam raros e apenas em casos de necessidade clara.