A questão do aborto no Brasil

Enviada em 11/10/2020

Há muito tempo, a discussão acerca da descriminalização do aborto vem se intensificando na sociedade brasileira. Considerado por muitos como um assunto polêmico, nota-se uma divergência entre a Igreja e a ciência. Para os religiosos, a mãe comete um crime, pois após a fecundação há uma vida e precisa ser respeitada. Já os cientistas, afirmam que com quatro semanas o embrião não apresenta traços verdadeiramente humanos.

No Brasil, de acordo com o Código Penal, o aborto é considerado um crime contra a vida humana; exceto quando a gravidez é resultado de estupro, traz risco à gestante ou em casos de anencefalia. Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, realizada em 2016, o procedimento é feito por mulheres dos mais variados perfis. Entretanto, o fato de ser ilegal em muitos países em desenvolvimento, prejudica as que possuem baixas condições financeiras. Desse modo, remonta o dado do site Catraca Livre onde a cada dois dias, uma mulher morre vítima de aborto inseguro no nosso país.

Como retratado na telenovela “Bom Sucesso”, a personagem Nana pensa em interromper a gravidez e até mesmo fazer o procedimento na Inglaterra, onde o aborto é legalizado. Para uma pessoa de classe alta, seria algo de fácil solução: apenas viajar; porém, difere do cenário social brasileiro. Bem como representado na série “Segunda Chamada”, a personagem Rita por ser de baixa renda, busca uma clínica clandestina e de má qualidade, e por conseguinte vem a óbito. Logo, é possível fazer um comparativo com a realidade feminina; que em sua maioria não possui uma boa situação financeira, nem sequer acesso a métodos contraceptivos.

Dado o exposto, evidencia-se que a prática clandestina do aborto gera consequências de intensa gravidade. Sendo assim, faz-se necessário uma maior intervenção do governo na fiscalização de clínicas inapropriadas, no sistema de saúde do país e a conscientização da seriedade da gravidez. É válida a promoção de campanhas de planejamento familiar, a inserção de aulas de educação sexual e o aumento do acesso aos métodos de contracepção. Dessa forma, haveria a diminuição de riscos numa gravidez indesejada e no número de gestantes mortas.