A questão do aborto no Brasil
Enviada em 30/09/2020
A discussão da descriminalização do aborto sempre gera polêmica no Brasil. O País é declaradamente laico, contudo, a maior parte da sua população é cristã, fazendo com que esse assunto se torne um tabu. No entanto, a prática do aborto clandestino continua sendo comum, como mostra os dados da pesquisa do Anis Instituto de Bioética junto com a Universidade de Brasília, na qual aponta que 20% das mulheres brasileiras irão cometer um aborto até o final da sua vida reprodutiva.
No Brasil, o aborto só é permitido: quando a mulher engravida de um estupro, quando há risco a saúde da gestante e quando o feto é anencéfalo. Muitas das mulheres que engravidam não tem condições financeiras e sociais para criar um filho, como informa a pesquisa do Anis Instituto de Bioética,na qual cerca de 50% das mulheres que recorrem a aborto só completaram o ensino fundamental. E como não se encaixam nas situações permitidas se arriscam em clínicas clandestinas que não oferecem assistência e segurança para realização de um aborto seguro.
Como consequência disso, cerca de 15 mil mulheres anualmente chegam aos hospitais com complicações relacionadas aos abortos, dessas mulheres, 2 mil morrem, de acordo com o Ministério da Saúde. Fato que comprova que a prática do aborto não é algo isolado, provocando um problema de saúde pública que gera complicações aos cofres públicos como prova o mesmo dado, no qual o custo da hospitalização recorrente a interrupção da gestação custou cerca de 51 milhões a economia brasileira.
Essa situação só prova que apenas as clínicas clandestinas de aborto são as que lucram com a ilegalidade. Portanto, ao longo do tempo o aborto passou a ser uma questão de saúde pública e deve ser discutido no País. Ongs ao lado do Ministério da Saúde devem promover palestras a toda a sociedade para que, a população possa compreender que esse assunto não é relacionado às questões religiosas e sim uma questão de saúde pública. Ademais, os deputados juntamente com os senadores precisam voltar a discutir esse assunto congresso para que assim, a interrupção de uma gravidez não deva se tornar uma sentença de morte para as mulheres.