A questão do aborto no Brasil

Enviada em 19/09/2020

“Chegavam até a imaginar que agiam ainda como homens livres, que podiam ainda escolher”, a frase dita pelo escrito Albert Camus diz respeito a liberdade individual dos seres humanos. No Brasil, apesar de vivermos em uma democracia, algumas liberdades e direitos de escolhas são restritas aos cidadãos, em especial as mulheres que anseiam pelo direito do aborto. Ainda que o Estado brasileiro opte pela proibição e criminalização, não consegue coibir de fato, haja vista a quantidade de clínicas clandestinas que realizam o procedimento e na maioria das vezes colocando em risco a saúde da paciente.

Em primeiro plano, há de se observar que o governo brasileiro admite o aborto em casos de estupro, quando a gravidez representar risco à gestante ou o feto ser anencefálico. No entanto, ter um filho vai além da gestação e inclui situações onde a mulher não deseja ter a criança, seja por vontade própria, momento financeiro ou a sua convivência com o parceiro, afinal de contas o abondono paterno é algo comum no Brasil, e mesmo que a justiça determine pensão alimentícia, o valor não é suficiente para uma criação digna da criança.

Ademais, o aborto é questão de saúde pública, pois mesmo prevista como crime, a pratica acontece muitas vezes em clínicas clandestinas ou até mesmo em casa. Apenas uma pequena parte com maior poder aquisitivo consegue realizar o procedimento de forma segura, com pouco ou nenhum prejuízo a saúde, sendo que a maioria que se encontra em vulnerabilidade socioeconômica são vítimas de métodos que resultam em sequelas físicas e mentais ou até mesmo a morte.

Nesse sentido, cabe ao poder legislativo que repense sobre a lei a fim de garantir a liberdade de escolha da mulher, pois a não legalização promove a continuide de atos clandestino que muitas vezes levam a morte. Também há a possibilidades de campanhas de informatização junto a mídia, para a desconstrução de pensamentos obsoletos a essa situação.