A questão do aborto no Brasil
Enviada em 18/08/2020
Um dos principais entraves no desenvolvimento da sociedade construída em Revolução dos Bichos de George Orwell é a ignorância. Com o cansaço do trabalho braçal, o conhecimento se ateve nas mãos de apenas um espécie, que manipulava e ditava as regras de acordo com seus desejos. Contrastando com a ficção, a sociedade brasileira é liderada a séculos por uma “espécie”: homens. Que por terem históricos majoritários na política, cometem diversas desigualdade de gênero, entre elas: a bolha incompreensível e o comprometimento da dignidade humana prevista na carta de direitos.
Em primeiro instante, é de conhecimento geral a linhagem egocêntrica persistida na população brasileira. A questão do aborto, tema tornado polêmico, é mal compreendida nas camadas sociais por ser um assunto que “não interfere” diretamente o principal detentor de poder de escolha no Brasil: os homens. Haja vista que, responsabilidade paterna é sinônimo de escolha no território nacional. Exemplo dessa realidade é segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, mais de 5,5 milhões de brasileiros não terem o progenitor no registro de nascimento. Tornando fácil a “revolta” em recusar o interrompimento de uma gestação, já que a cobrança da futura criança só recairá em cima da mulher.
Em segundo lugar, a negação do aborto fere diretamente o princípio da dignidade humana assegurado na Constituição Federal de 1988. Posto que, a imposição de uma gestação abre caminhos a clínicas clandestinas, com métodos rudimentares, tornando o fato de não querer gestar criminoso. Essa situação caracteriza-se além de circundar um sentimento de culpa na mulher, arriscar sua vida em lugares insalubres e sem estrutura inadequada. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 47 mil mulheres morrem por ano devido a complicações do procedimento.
Diante dos supracitados acima, para combater a ignorância da sociedade utópica de George Orwell é de fundamental importância a união do Ministério da Educação em consonância com o Governo Federal frente a problemática. O MEC, formador de opinião, deve implantar diariamente nas escolas debates que pontuem as desigualdades existentes entre homens e mulher, com o objetivo de esclarecer a injustiça e defender a igualdade de gênero. O Governo Federal, com seu caráter socializante, deve propor ao Ministério da Saúde junto a população o levantamento dos prós e contras de tornar o aborto uma questão de saúde pública, fazendo uma análise profunda da questão e ressaltando que a preocupação é no bem estar da mulher brasileira e não em crenças e valores morais individuais. Para que com isso, seja possível a construção de uma sociedade mais igualitária e segura diante de decisões coletivas.