A questão do aborto no Brasil
Enviada em 20/11/2018
A prática do aborto no Brasil, considerada crime há 78 anos, ainda é um assunto amplamente discutido na sociedade atual. Com o crescimento de diversos movimentos a favor das liberdades individuais, com vários países tendo tomado medidas progressistas a respeito e com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir o aborto em um feto de até 3 meses em um caso específico, tais debates foram ainda mais acalorados.
É imprescindível destacar, primeiramente, que os movimentos contra a atual lei que resguarda o aborto não são a favor do mesmo, mas de sua descriminalização. Não é sobre ser a favor ou contra a interrupção da gravidez, mas sobre as penas impostas sobre gestante que toma essa decisão. O debate sobre igualdade de direitos civis cai no meio dessa discussão também, já que, na legislação atual, enquanto milhares de homens se negam a exercer suas funções de pai realizam o próprio aborto sem sofrer nenhuma penalidade, mulheres que não se consideram aptas a arcar com a maternidade, seja por motivos sociais, psicológicos ou de renda, podem ser julgadas e reclusas por até 10 anos.
O procedimento já acontece no país inteiro ilegalmente e causa danos irreparáveis à saúde da mulher, principalmente da que não tem condições de arcar com uma clínica com estrutura para tal, podendo ela sofrer de hemorragia, infecções por estar em ambiente insalubre, esterilização e até mesmo morte. A descriminalização do aborto, portanto, é uma proposta capaz de salvar muitas vidas. Pesquisas feitas em diversos países que mudaram sua lei de combate ao aborto mostraram um decréscimo nas taxas de mortalidade da mulher, por ele ser feito em local adequado, e no procedimento em si, pois, antes de recorrer a tal, a gestante passa por diversas consultas com psicólogos e assistentes sociais, tornando-se sábia de todas as opções, o que, muitas vezes, a faz mudar de ideia.
Com base nos fatos apresentados, vê-se imperativa, portanto, uma mudança na forma com que o governo trata tal tópico. A descriminalização é viável, porém só terá êxito se a mulher que está pensando nisso conseguir ter todo o suporte e orientação possível na hora de fazer sua escolha. Com o Ministério da Saúde criando uma boa base de psicólogos e psiquiatras para conversar com elas antes, com os profissionais desse ramo como um todo sendo capacitados a apresentar todas as opções à gestante e com o governo de cada estado da união promovendo palestras e encontros que debatam o assunto e ofereçam as informações necessárias, é possível não só criar uma sociedade com mais liberdade, mas uma com menos abortos e mais vida também.