A questão do aborto no Brasil
Enviada em 03/11/2018
Falar sobre o aborto envolve questões éticas, morais e até religiosas. Definir quando a vida começa não é simples, alguns alegam que é no encontro entre óvulo e espermatozoide, outros somente quando o sistema nervoso é formado, e ainda há os que dizem que o início da vida é na concepção. Entretanto, independente do olhar, devemos tratar o aborto como questão de saúde pública.
No Brasil o aborto é legalizado em casos de risco a vida da mulher, fetos anencéfalos ou estupros, porém, mulheres fora dessas três condições realizam abortos ilegais em clínicas sem estrutura adequada que põe em risco sua integridade física, constatamos isso com dados da segunda edição da Pesquisa Nacional do Aborto que diz que houveram, somente no ano de 2015, 503 mil abortos, mas somente 9469 foram feitos de forma legal entre 2010 e 2016.
As principais vítimas do aborto ilegal são as mulheres pobres e de zonas periféricas que não tem condições de pagar caro por alguém que faça de forma segura, com isso recorrem as clínicas clandestinas ou ao uso do famoso Cytotec. Por consequência, a maioria delas acabam indo para o Sistema Único de Saúde com quadros de hemorragia devido aos procedimentos nada seguros. Sendo assim, fica claro que a descriminalização do aborto em todos os casos é necessária e deve ser feita para proteger a mulher.
Dessa forma, cabe ao Governo Federal promover a descriminalização do aborto seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde que orienta a realização até a 20ª semana de gravidez e, após isso, a mulher teria a adoção facilitada, caso desejasse. O aborto seria realizado em qualquer hospital com médicos que estivessem de acordo com o procedimento e com o devido acompanhamento psicológico antes e após evitando traumas e protegendo a vida de todas as mulheres. Além disso, as células embrionárias possuem alta variabilidade, podendo ser destinada a estudos científicos com a finalidade de desenvolver novos tratamentos.