A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Thomas Morus, filósofo inglês, idealizou a “Ilha de Utopia”: ambiente no qual não há, de maneira nenhuma, a prática do preconceito por parte do corpo cívico. Entretanto, essa visão não é solidificada no atual cenário brasileiro, visto que, infelizmente, o Brasil ainda é palco de constantes casos de xenofobia, fruto da negligência estatal e do extremo individualismo presente na sociedade.

De início, é importante trazer à tona como a imprudência do Estado perpetua o impasse em questão. Diante disso, é evidente que embora a Magna Carta de 1988 garanta que nenhum ser humano será submetido a tratamentos desumanos ou degradantes, em seu Artigo 5°, nota-se a ação teórica prevalecendo sobre a prática, uma vez que a máquina pública é letárgica ao não promover, aos estrangeiros, bem como ao público de diversidades culturais, medidas protecionais e segurança eficiente, de modo a torná-los, consequentemente, reféns dos imprudentes atos de violência; conjuntura que vai de encontro àquela retratada por Morus.

Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, a necessidade de mitigar o exacerbado individualismo crescente nos cidadãos. Sob esse viés, é clara a ausência de alteridade, por parte da nação brasileira, ao não oferecer a prática da boa relação interpessoal no cotidiano dos estrangeiros, visto que estes, devido à sua atual condição de estado, são postos às margens pela população e, por muitas vezes, vítimas de violência e vandalismo. Esse panorama, extremamente caótico, apresenta características semelhantes ao do “Holocausto”, o qual ocorreu no século XX e resultou na morte de seis milhões de judeus, pelo partido Nazista, na Alemanha. Urge, portanto, a plena mudança nesse quadro totalmente retrógrado.

Logo, é mister que o Poder Legislativo, por meio de uma emenda, vigorize flexibilidade da lei supracitada, criando centros de apoio e de denúncias especializadas nesse tio de hostilidade, a fim de obter maior segurança às vítimas, tal como intensificar a importância desse combate. Ademais, é necessário que o Congresso Nacional disponibilize verbas para que sejam realizados simpósios culturais, ministrados por mestres e doutores em Sociologia, com o Fito de fomentar a boa convivência entre os indivíduos. Somente assim, será possível igualar a situação brasileira com a de Morus.