A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 22/09/2019

Brasil para todos

Durante o Período Colonial brasileiro, os portugueses se apropriaram não só das terras nativas, como também disseminaram o eurocentrismo na região recém-descoberta. Analogicamente, o sentimento de superioridade perante aos autóctones, logo abriria espaço para o xenofobismo em diversas regiões ocupadas pelos colonos. Desse modo, mesmo após séculos, a questão da xenofobia no Brasil ainda é persistente e infelizmente abrange outras vertentes que vão além dos indígenas, de modo a configurar uma problemática inerente as raízes brasileiras, que necessita de urgente atenção e solução.

Em síntese, a conscientização coletiva é a chave para uma boa convivência. Concomitantemente, Hellen Keller - escritora e ativista social - entendia que, o resultado mais sublime da educação é a tolerância, ao passo que, desconstrói barreiras e cria pontes entre abismos anteriormente estabelecidos pela própria sociedade. Dessa maneira, infere-se que o sentimento xenofóbico surge da intolerância, visto que, a não aceitação de pessoas pertencentes a outras nacionalidades e regiões do próprio país gera empecilhos sociais cada vez  mais crescentes, caso não sejam erradicadas ainda no princípio.

Ademais, a negligência é geradora de imbróglios. Eventualmente, é possível enfatizar que, mesmo após séculos tal problema continua a crescer. Por consequência, de 2014 à 2015 os casos de xenofobia no Brasil aumentaram cerca de 633%, de acordo com os dados fornecidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, de modo a estabelecer um percentual extremamente alarmante para um país em desenvolvimento. Logo, é perceptível a permanência do impasse uma vez que, não há registros de nenhum xenofóbico punido por seus atos, reafirmando a ineficiência de políticas existentes contra tal delito na sociedade brasileira.

A questão da xenofobia é, portanto, produto da manifestação preconceituosa por parte da população de um meio social, haja vista sua posição perante habitantes nativos de outras regiões diferentes da que se encontram, situação que deve ser encarada como inadmissível no Brasil. Destarte, o Governo deve priorizar as punições estabelecidas para crimes xenofóbicos, por meio de leis mais rígidas, elaboradas com o apoio do poder Legislativo, a fim de fortificar a proteção aos imigrantes para que agressões verbais e físicas sejam evitadas e logo, erradicadas por completo no território brasileiro. Além disso, a Secretaria Especial de Direitos Humanos deve elaborar palestras e incentivar ações afirmativas, que funcionem como vertente conscientizadora para a população, com o fito de promover um sentimento de fraternidade em relação aos novos habitantes advindos de outras regiões, sejam elas quais forem. Dessa forma, espera-se que a xenofobia faça parte apenas do passado colonial brasileiro.