A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 12/09/2019
Promulgada pela ONU em 1948, a declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à igualdade, à segurança e ao bem-estar social. Conquanto, a xenofobia sofrida pelos imigrantes impossibilita que essa parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Desse modo, é válido analisar os fatores nacionalistas e a estigmatização social como elementos que contribuem para essa problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o desconhecimento de uma fração da sociedade influencia na questão da xenofobia. Esse cenário ocorre, sobretudo, devido ao etnocentrismo predominante e a da necessidade de reafirmar a identidade nacional. Para ilustrar esse quadro negativo, Mohamed Ali, refugiado sírio residente no Brasil há três anos, foi hostilizado e agredido verbalmente em Copacabana, região nobre do Rio de Janeiro, onde trabalha vendendo esfihas e doces típicos. Assim, de acordo com a frase de Giacomo Leopardi, filósofo italiano, “Nenhuma qualidade humana é mais intolerável que a intolerância’’, percebe-se o grande malefício da discriminação para a construção de uma humanidade coesa, na qual limites geográficos não sejam mais importantes que a solidariedade.
Ademais, quando Erving Goffman, sociólogo canadense, expressa que “A rotulação é mais confortável que o entendimento pleno’’, busca entender questões ligadas ao preconceito. Nesse sentido, Goffman ilustra que a esteriotipação de imigrantes com bases em julgamentos preconcebidos de comportamento, vestimento e a cultura representa uma forma de alienação da verdadeira essência humana. Esse desprezo pela compreensão do diferente faz com que estigmas sociais sejam criados, o que deslegitima grupos de pessoas provenientes de outra nação. Em consequência desse panorâma prejudicial, o aumento de ações xenofóbicas é uma crescente no Brasil, o que se comprova pelo dado da Secretaria Especial de Direitos Humanos, na qual apresenta uma elevação de 633% nos casos de violação dos direitos dos imigrantes.
Tornam-se evidentes, portanto, os aspectos que contribuem com a atual conjuntura desfavorável do país. Cabe ao Ministério da Educação acrescentar na Base Comum Curricular, por meio da reformulação da política de educação, propostas de uma pedagogia voltada para a cidadania, como dinâmicas corporais, que busquem traços individuais comum entre os alunos, a fim de estimular o senso de empatia, alteridade e compaixão, para a diminuição de preconceitos e da xenofobia. Por fim, o Poder Público deve combater os casos de preconceitos, mediante a investigação, fazendo valer a Legislação, com intuito de reduzir atitudes de rejeição a imigrantes. Dessa forma, todos conseguirão desfrutar dos direitos universais promulgada pela ONU.