A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 11/09/2019
De acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, o comportamento do indivíduo é consequência da educação que lhe é dada. Nesse contexto, é possível afirmar que a persistência da xenofobia na sociedade brasileira ocorre, entre outros fatores, não só por falta de políticas públicas que visem estabelecer a ideia de igualdade cultural, mas também pela ausência de esclarecimento sobre as reais consequências das imigrações no Brasil.
Em primeiro plano, é importante destacar que a inexistência de programas estatais para combater o etnocentrismo de uma cultura sobre outra intensifica a discriminação contra pessoas que não são natas de uma região. Isso pelo fato de não haver uma interferência nos comportamentos xenofóbicos, fato que permite a transmissão desse preconceito de uma geração para outra. Prova disso é uma pesquisa realizada pelo portal de notícias “Huffpos”, mostrando que quase 80 anos após o fluxo em massa de nordestinos para o Sudeste, os índices de xenofobia ainda são os maiores nessa região, principalmente por causa do sotaque e contribuições econômicas que, segundo os xenofóbicos, são menores no Nordeste, o que evidencia a ilusória ideia de supremacia cultural. Por causa disso, a constituição brasileira passa a não ser respeitada, tendo em vista a aversão ao estrangeiro.
Além disso, o desconhecimento dos brasileiros quanto às consequências da chegada de estrangeiro é outro ponto que gera repudiação aos imigrantes. Isso porque muitas pessoas acreditam que podem perder o emprego, pois a concorrência aumentaria. Nesse sentido, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, aproximadamente 35% dos casos de xenofobia são provocados por essa linha de pensamento, o que evidencia o desconhecimento, já que o desemprego entre imigrantes aumentou 56% no último ano. Dessa forma, as diretrizes defendidas pelo Direitos Humanos passam a não serem respeitadas, haja vista os ataques sofridos por estrangeiros devido à falta de informação dos preconceituosos.
Destarte, é preciso que medidas educativas sejam tomadas para que a xenofobia possa ser erradicada no Brasil. Para tanto, o Ministério da Educação e Cultura deve, por meio de um decreto, implementar na grade curricular de todo ensino básico e superior a disciplina de “igualdade cultural”, com profissionais experientes em relações humanas e discriminação, com a finalidade de extinguir o preconceito contra os estrangeiros e apresentar os efeitos das imigração. Assim, o comportamento dos indivíduos será de acordo com a educação passada, como defendia Kant.