A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/09/2019

Durante o Holocasto, Mieo Gies, secretária e contadora austríaca, abrigou em sua casa a judia Anne Frank e sua família para evitar que fossem capturados pelas forças nazistas alemãs. Entretanto, não observa-se esse comportamento na contemporaneidade, uma vez que a xenofobia impede o desenvolvimento de uma nação mais coesa, o que se deve a fatores como as instituições escolares e a estigmatização social.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que as Instituições de ensino influenciam no preconceito ao imigrante. Esse panorâma ocorre, visto que  uma atitude pedagógica escolar que privilegia o acúmulo conteudista e notas em detrimento de uma formação cidadã perde a oportunidade de desenvolver temas atuais, como a imigração e a xenofobia. consequentemente, essa conduta desvantajosa faz com que, parte dos educandos, não desenvolvam valores de solidariedade e do respeito a diferença, o que dificulta a formação de indivíduos complacentes, tolerantes e civicamente responsáveis. Desse modo, percebe-se que mesmo séculos após a publicação, a frase de Kant, filósofo prussiano,“É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”, ratifica o caráter atemporal de uma educação de qualidade.

Ademais, quando Erving Goffman, sociólogo canadense, expressa que ‘‘A rotulação é mais confortável que o entendimento pleno", busca entender questões ligadas ao preconceito. Nesse sentido, Goffman, ilustra que a esteriotipação de imigrantes com bases em julgamentos preconcebidos de comportamento, vestimenta e a cultura representa uma forma de alienação da verdadeira essência humana. Esse desprezo pela compreensão do diferente faz com que estigmas sociais sejam criados, o que deslegitima grupos sociais provenientes de outra nação. Em consequência desse cenário prejudicial, o aumento de ações xenofóbicas é uma crescente no Brasil, o que se comprova pelo dado da Secretaria Especial de Direitos Humanos, na qual apresenta uma elevação de 633% nos casos de violação dos direitos de imigrantes.

Tornam-se evidentes, portanto, os elementos que contribuem com o atual quadro negativo do país. Cabe, ao Ministério da Educação, acrescentar na Base comum Curricular, por meio da reformulação da política de educação, propostas de uma pedagogia voltada para a cidadania, como dinâmicas corporais, que busquem traços individuais comuns entre os alunos, a fim de estimular o senso de empatia, alteridade e compaixão, para a diminuição da xenofobia. Por fim, os meios de comunicação, devem, mediante propagandas, desconstruir estereótipos e estigmas de imigrantes, com o propósito de construir uma sociedade mais tolerante e reduzir os casos de desrespeito dos direitos dos imigrantes.