A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 26/08/2019
Sabe-se que a xenofobia sempre esteve presente nas sociedades, o nazifascismo originado na Europa da década de 1940, à título de exemplo, teve sua ideologia baseada nessa aversão ao estrangeiro, sobretudo, aos judeus. Já no Brasil atual, a xenofobia tem se tornado um assunto recorrente à medida que houve um aumento expressivo no número de imigrantes que aqui se refugiaram. Nesse cenário, é fundamental que a comunidade se atente para a ameaça que a intolerância à imigração representa no que tange à preservação dos Direitos Humanos.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar a situação vivida pelos refugiados no país. Na maioria dos casos, eles migram para fugir de condições desumanas dos seus países de origem e, ao chegar, sofrem com a discriminação. Tal atitude preconceituosa gera a exclusão sociocultural, dificuldade para se adaptar ao idioma e, consequentemente, os indivíduos ficam sujeitos ao desemprego ou trabalhos informais. Logo, eles não têm acesso à moradia digna e muito menos conseguem ascender economicamente, configurando um estado de sobrevivência precário, o que corrobora o efeito prejudicial do patriotismo.
Nesse contexto, merece destaque o alerta dado pela filósofa contemporânea Judith Butler. Segundo a doutora, novas formas de fascismo estão aparecendo no mundo, inclusive no Brasil, onde há a propagação de um discurso que exalta o conceito de nação, em nome da pureza étnica e de uma perniciosa rejeição a reconhecer a igualdade dos seres humanos. Nesse sentido, a xenofobia constitui um fator de risco para desencadear e justificar a violação massiva dos direitos humanitários, analogamente ao que ocorreu na Europa do século XX.
Ainda é importante mencionar que o repúdio aos grupos adventícios é crime no país, entretanto, tal legislação não foi suficiente para amenizar o fenômeno. De acordo com o poder judiciário, os números de denúncias desse delito são mínimos e, geralmente, os inquéritos são inconclusivos, fato que gera um ambiente propício à reincidência. Dessa forma, verifica-se que a impunidade amplifica a dimensão do problema.
Diante disso, para que os imigrantes sejam integrados e tenham qualidade de vida, é fulcral que a Comissão Nacional para Refugiados (Conare) implante medidas funcionais como o oferecimento de cursos profissionalizantes e da língua portuguesa, subsídio de moradias temporárias e assistência médica, assim como, execute a devida punição aos xenófobos. Ademais, a mídia e as instituições de ensino devem intensificar campanhas de conscientização que visem erradicar a cultura xenofóbica brasileira. Fazendo isso, estar-se-á garantindo o intercâmbio salutar entre os diferentes povos.