A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/04/2019

De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir a manutenção dos direitos sociais da população. Atualmente, no entanto, a xenofobia no Brasil, provocada, em parte, pelo etnocentrismo cultural, além de questões religiosas e políticas, tem engendrado consequências preocupantes, essas porém passíveis de mitigação.

O filósofo espanhol Adolfo Vázquez afirmava, em linhas gerais, que o aumento da frequência de determinado evento ocasionaria, erroneamente, sua naturalização. Nessa perspectiva, a xenofobia, caracterizada pela aversão ao estrangeiro, é estimulada pela noção de superioridade cultural, religiosa, racial e até mesmo política. Ademais, sabe-se que essa problemática tem raízes históricas e pode ser identificada em certos períodos, como no século XX, pelo surgimento dos ideais nazistas, justificados pelo darwinismo social, ou seja, algumas sociedades são dotadas de valores que a colocavam em situação superior às demais.

Outrossim, a falta de alteridade nas relações sociais acarretam preconceitos e discriminações ao grupo supracitado. Nesse viés, a entrada de imigrantes em diversos países gera na população, em parte, medo e anseio quanto à sobrecarga das escolas, da saúde pública e do mercado de trabalho, corroborando sua marginalização. Portanto, segundo Augusto Comte, a sociedade deve ver para prever e prever para prover, de maneira análoga à realidade atual, percebe-se que caso não haja uma provisão, o problema persistirá.

Por conseguinte, cabe ao Governo, em parceria com a Receita Federal, destinar uma parte maior dos impostos a políticas de inserção do imigrante na sociedade, por meio de acompanhamento psicológico gratuito e políticas de inserção desse grupo no mercado de trabalho, mitigando parte da marginalização. Em parceria, o Ministério da Educação deve acrescentar na matriz curricular das escolas matérias como “política e cidadania”, com o intuito de reduzir o preconceito, promovendo o interesse dos alunos a questões sociais e politizadas.