A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 06/04/2019
A diversidade no mundo é uma fato inegável. Na história do planeta Terra, com mais de 4 bilhões de anos, exceto no seu período pré-cambriano, onde a vida rudimentar encontrava-se em formação, todas as etapas de formação da diversidade da vida ocorreram de modo natural. Faz parte na natureza do planeta a presença da diversidade em cada grupo de ser vivente e ambientes, com os seres humanos não poderia ser diferente, porém, essa visão biológica em escala social, muitas vezes parece distante e utópica, ou se mostra inconsciente na mente humana.
O alto comissionário das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) define xenofobia como as ações e preconceitos contra pessoas que possuem cultura, religião, etnia, origem, entre outras características, diferentes das pessoas que estão inseridas em determinada sociedade. A xenofobia é um problema social que acomete todo o mundo, no Brasil, apesar de ser um estado laico com fama de multicultural e acolhedor, a xenofobia é bem mais presente e rotineira do que se imagina, a questão é que, muitas vezes, essa violência é mascarada.
Enquanto que no Estado de Santa Catarina ocorre a valorização da maior festa Alemã das Américas (Oktoberfest), festas e manifestações da cultura Africana, como por exemplo a festa da Boa Morte, na cidade de Cachoeira (BA) não possui alcance sequer às cidades mais distantes do Recôncavo Baiano, ficando evidente a supervalorização da cultura européia e desvalorização da cultura africana, são tratamentos diferentes que não podem ser ignorados. Os estrangeiros que chegam ao Brasil acreditando nesse rótulo de país diverso acolhedor, surpreendem-se em perceber que correm riscos de perder a vida, quando sua intenção era buscar refúgio. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 2016, estima que 60% do homens haitianos sofrem xenofobia, e nas mulheres esse percentual chega a 100%. Além disso, a xenofobia no Brasil ocorre entre as diferenças de cultura e origem dentro do próprio território nacional, como no movimento separatista “Sul é o meu país”, onde a xenofobia direcionada aos nordestinos é um caso extremo.
A Xenofobia é crime previsto em lei, com pena a quem pratica, e para que este problema social seja resolvido, ou ao menos amenizado, a lei precisa ser efetiva e sair do papel, para tal, o ministério público em parceria com a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) devem criar órgãos específicos para prestar auxílio e fazer valer a lei. Políticas públicas de atendimento à imigrantes devem ser disseminadas e fortalecidas, como os CRAIs (centros de referência e atendimento para imigrantes), que em todo o país só possuem duas sedes. Por fim, políticas educacionais devem ser implantadas, a fim de que nas escolas, o brasileiro aprenda a importância da diversidade dentro do próprio país e no mundo.