A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 06/04/2019

‘‘Todo muçulmano é terrorista’’, ‘‘pessoas negras não pensam’’, ‘‘vocês vieram para roubar nossos empregos’’. Tornou-se comum ver pessoas criarem e disseminarem ideias assim, com teor xenofóbico, com intuito de denegrir determinados grupos. É fato que a xenofobia é uma das formas de preconceito mais antigas que existe e que ainda se faz presente nos dias atuais. No entanto, mesmo existindo uma lei que criminalize essas agressões, o números de casos contabilizados cresceram, exponencialmente, nos últimos anos.

Historicamente, durante a Segunda Guerra Mundial, uma das maiores demonstrações xenofóbicas ocorreu com a ascensão do Nazismo, uma vez que o ódio e a aversão disseminada pelos alemães a grupos como, por exemplo, judeus e homossexuais, foram a causa da morte de milhares de pessoas na época. Contemporaneamente, tal contexto de intolerância ainda persiste na sociedade, onde imigrantes são os mais afetados.

No que tange à questão jurídica, apesar da xenofobia ser considerada um crime no Brasil, a impunidade da maioria dos casos levou a um aumento considerável desse tipo de crime, haja vista que, conforme pesquisas realizadas pela Carta Capital, houve um aumento de 633% nos casos de 2014 a 2015. Fato que chama a atenção das autoridades e da Secretaria dos Direitos Humanos.

Além disso, a crise política, econômica e moral, presente no país, atualmente, gera, assim como gerou nos Estados Unidos, em 1930, um sentimento nacionalista, que incita a xenofobia, sob o pretexto de que o estrangeiro estaria “roubando” o emprego de um nativo. Tal aversão intensifica-se a cada atentado terrorista ocorrido no “mundo ocidental”, gerando maior adesão a ideais xenofóbicos como no caso de Mohamed Ali.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Governo Federal, junto com os meios de comunicação, deveria criar propagandas para a população em geral com o objetivo de diminuir os casos de preconceito e xenofobia. O Ministério da Justiça deveria julgar os casos, como de Mohamed, com mais eficiência, além de aplicar sanções mais severas para, dessa forma, minimizar o número de agressões geradas por tal contexto. O Ministério da Educação, junto com professores e psicólogos, poderia realizar palestras nas escolas, para as crianças e adolescentes, a fim de desconstruir preconceitos existente contra as culturas diferentes e ressaltar a tolerância aos grupos mais atingidos. Aliás, como diria John Locke: ‘‘o homem nasce uma tábula rasa e a sociedade é quem molda seu caráter’’