A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 03/04/2019
A cultura é um dos pilares para a construção de uma nação. Pode-se afirmar que quanto mais elementos estrangeiros um país incorporar para si, mais rico ele será. Porém, embora os imigrantes sejam um importante veículo cultural, eles ainda encontram dificuldades para se estabelecer no Brasil, sendo a xenofobia a maior delas. O preconceito étnico está tão enraizado na população brasileira que suas proporções requerem medidas do governo e da grande mídia.
Segundo Cristiano Bodart, doutor em sociologia pela USP, o Brasil é uma aquarela de grupos étnicos. De fato, a sociedade brasileira foi composta por um processo de miscigenação, iniciado com a descoberta do país em 1500, tendo como base indígenas, portugueses colonos e africanos. E esse processo continua até hoje, com a chegada de novos imigrantes, que buscam um novo recomeço, motivados pelos conflitos e crises de sua terra natal. Cada um traz conhecimentos que poderiam ser incorporados à nação como um todo. Contudo, nem sempre isso acontece, devido à barreira imposta pelo preconceito.
De acordo com os dados divulgados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, os casos de xenofobia aumentaram 633% entre 2014 e 2015, e atinge sobretudo refugiados haitianos e muçulmanos. Isso se deve pelo aumento do fluxo de imigrações, associado ao divulgamento constante de atos terroristas na grande mídia, o que leva muitas pessoas a associarem o terrorismo com a cultura islâmica. Embora o Brasil tenha uma regulamentação específica para esses casos, como a lei 9459, de 1997, estes estão cada vez mais frequentes.
O ideal, portanto, é agir inicialmente na raiz do problema: as associações feitas pelo imaginário popular. Deve-se trabalhar a educação, garantindo que a cultura dos povos que agregam a cultura brasileira seja estudada e, consequentemente, que seus valores sejam reconhecidos e respeitados. Uma alternativa é promover palestras em escolas e faculdades sobre a importância dessas etnias em solo nacional.
Outrossim, é preciso haver um consenso entre os fatos reais e os noticiados nos meios de comunicação, de forma que as informações cheguem ao cidadão sem a pitada sensacionalista comumente associada às manchetes sobre terrorismo. A informação deve ser divulgada tal como é, sem exageros, para que o leitor ou telespectador final não tenha espaço para basear suas próprias especulações, que culminam no preconceito.