A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 06/04/2019
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU, todos têm igual proteção contra qualquer discriminação. Entretanto, casos como o do refugiado sírio Mohamed Ali mostram que, na prática, esse direito não é garantido no Brasil, devido ao seu histórico xenofóbico e aos diversos estereótipos divulgados pela mídia.
A priori, o histórico nacional é fator determinante para a existência do problema. Consoante ao cantor Cazuza, “eu vejo futuro repetir o passado”, durante o período colonial, as populações que habitavam os territórios do Brasil antes da chegada dos portugueses foram extremamente discriminadas, uma vez que eram vistas como “sem alma” por seguirem costumes e religiões distintas às europeias. E, hoje, de modo semelhante, alguns brasileiros excluem e violentam – fisica e psicologicamente – estrangeiros e refugiados, seja por meio de “brincadeiras” ofensivas com sua cultura, religião ou idioma, seja agredindo-os apenas por terem nascido em outro país.
De mesmo modo, destaca-se que os estereótipos divulgados pela mídia também estão entre as causas da xenofobia. O atentado do dia 11 de setembro nos EUA foi um marco na relação entre muçulmanos e o mundo, uma vez que, a partir daí, tornou-se comum a associação entre islamismo e terrorismo. Dessa forma, nos dias atuais, é usual a existência de grupos com lemas como “todo refugiado é terrorista” e objetivos que vão desde axpulsão de muçulmanos ao seu extermínio em diversos países, inclusive no Brasil. Nesse sentido, torna-se claro o perigo representado pela falta de informação sobre a religião islâmica.
Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse. Urge ao Ministério da Educação fornecer subsídios para que as escolas possam realizar projetos interdisciplinares, envolvendo as disciplinas história e sociologia, como feiras culturais e seminários sobre as diversas religiões, idiomas e costumes espalhados ao redor do mundo, a fim de desconstruir estereótipos e construir um futuro que conheça e respeite as diferenças.