A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 04/04/2019

De acordo com Papa Francisco, os migrantes e refugiados não são peões no tabuleiro de xadrez da humanidade. Nesse contexto, é possível perceber a ocorrência de discursos xenofóbicos em vários países. Assim, embora o mundo globalizado, no Brasil, o preconceito contra os imigrantes é um fenômeno presente. Desse modo, deve-se analisar a visão deturpada e a crise econômica como as principais causas do problema em questão.

Sob esse viés, a ideia equivocada que os indivíduos tem dos imigrantes é uma das principais razões da xenofobia. Segundo o filósofo Michel Foucault, preconceito é a valorização dos padrões criados pela consciência coletiva, que são normas que a sociedade impõe de acordo com cada época. Nesse sentido, percebe-se que um senso comum que é construído e propagado em cada pessoa, gera uma aversão ao imigrante. Essa lógica pode ser ilustrada no preconceito contra a população de origem árabe ou de religião muçulmana, materializado principalmente após o ataque terrorista de 11 de setembro e ascensão do Estado islâmico, gerando um conceito generalizado e incoerente para todos os indivíduos de tais grupos.

Além disso, diante de fatores financeiros, a falta de sensibilidade com o outro é mais um “gatilho” para a xenofobia no Brasil. Conforme o sociólogo zygmunt Bauman, na teoria da “Modernidade Líquida”, o egocentrismo e individualismo se tornaram comuns ao indivíduo. À luz desse pensamento, observa-se que principalmente diante da crise econômica que assola o país, não há um olhar empático com os imigrantes, pois o medo que os brasileiros têm de perderem seus empregos ou que sua situação socioeconômica piore o deixa cego da real necessidade do imigrante, a procura de melhores condições. Sob esse prisma, isso pode acarretar em atitudes que denotam preconceito, como ações violentas contra os imigrantes ou fugitivos, como acontece principalmente com os haitianos segundo a Secretaria dos Direitos Humanos.

Por conseguinte, é essencial que as escolas promovam debates e palestras com jovens e seus familiares abordando sobre os processos e a real necessidade da migração, a fim de desenvolver nas pessoas um senso crítico sem preconceito acerca da visão deturpada na sociedade. Ademais,é imprescindível que o Ministério da Justiça a partir de campanhas conscientizadoras no meio midiático, mostre a população o lado positivo da colaboração de outros povos para o desenvolvimento do país, visando extinguir a convicção de ódio que os brasileiros têm com os imigrantes em relação à situação econômica. Dessa maneira, será possível fazer dos brasileiros, assim como prega o Papa Francisco, uma sociedade mais tolerante e com sentimentos mais humanitários.