A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 02/04/2019

“Compartilhar o mundo nunca foi o atributo mais nobre da humanidade”. Essa é uma passagem dita por um personagem da Marvel, do desenho X-men, sobre o universo mutante e a intolerância. Ficcional ou não, é um fato histórico e uma verdade inconveniente que a xenofobia traz para o cenário brasileiro, ao transmitir um nacionalismo exacerbado e assumir uma ideologia ignorante e desumana. Nesse contexto, encontram-se falhas no setor legislacional e também educacional, seja pelos crimes que passam impunes, seja pela repulsão ao desconhecido.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com a Secretaria Especial de Direitos humanos, embora a xenofobia seja um crime tipificado por lei, é sabido que menos de 1% das denúncias tornam-se processo. Tendo em vista também que a maioria dos crimes cometidos são silenciados. Porém, tais dados tornam-se um paradoxo ao analisar-se a cultura e grande miscigenação  encontrada no Brasil, que embora seja  considerado um país acolhedor, quando trata-se da questão dos refugiados o comportamento tem sido diferente. Onde pessoas que procuram refazer suas vidas em um contexto social diferente são marginalizadas, tratadas com violência e preconceito. Tendo como exemplo o refugiado Sírio, Mohamed Ali, que foi hostilizado e agredido verbalmente em Copacabana, região nobre do Rio de Janeiro, onde trabalha vendendo esfihas e doces típicos para sustentar-se.

Outrossim, destaca-se a repulsão ao desconhecido como impulsionadora do problema. A lenta mudança de mentalidade enraizada em um sentimento de superioridade e indiferença é o que alimenta o xenofobismo. O comportamento intolerante tem sido a grande marca da humanidade e a intolerância relacionada aos refugiados está ligada principalmente aos países que são considerados “patrocinadores do terrorismo”. Como por exemplo, a Síria e o Iraque.Países que vivem em grande conflito e a realidade dos que conseguem afugentar-se de tal situação ao chegar no Brasil, se deparam com inúmeros obstáculos, dentre eles a falta de auxílio e segurança. Se submetendo a residir em ocupações informais e precárias.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o governo e o poder executivo devem investir em projetos que visem auxiliar os refugiados que conseguem chegar ao país, e criar uma emenda constitucional que torne a lei já existente mais eficaz e ágil, promovendo um ambiente mais seguro para os mesmos e afim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.