A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 05/04/2019

O paradoxo da cordialidade

“A humanidade passa indiferente por muitas pessoas”. A frase anterior, dita por Karl Rokitansky, se encaixa no contexto brasileiro atual, em que, apesar de sermos considerados humanos cordiais, isto não se comprova, devido aos altos índices de xenofobia. Além disso, há outros obstáculos, como a ineficácia das leis e o fechamento de fronteiras aos estrangeiros, que impedem o tratamento humanizado a estas pessoas.

Em primeira análise, vale ressaltar, que a xenofobia começou a ter destaque em 2011, quando muitos haitianos se refugiaram no Brasil, e logo após, com a chagada dos sírios. Diante disso, foi aprovada uma lei que criminaliza qualquer ato preconceituoso contra estrangeiros, no entanto, segundo a Secretaria Especial de Direitos Humanos, em uma pesquisa realizada em 2015, constatou que a violência cresceu 633% em apenas um ano, evidenciando o quão ineficaz são o sistema de punição e leis contra a xenofobia.

Além disso, a cordialidade brasileira se torna cada vez mais um mito, já que, de acordo com o Instituto Ipsos de Notícias Globais, 31% dos cidadãos apoiam o fechamento de fronteiras aos refugiados, ficando próximo de países como Japão e Reino Unido, ambos com 34%. Desse modo, inúmeras pessoas que correm riscos de vida seriam impedidas de entrar no Brasil, e o país, contribuiria para o aumento da segregação já existente.

Em suma, medidas para combater a xenofobia no Brasil precisam ser tomadas. Iniciando pelo Governo Federal em parceria com as emissoras de televisão, que devem divulgar a não aceitação da xenofobia, por meio de propagandas e comerciais, com intuito de fazer com que todos saibam que ela é um crime, como também reduzir-se os casos. Além disso, é necessário que o país não feche as suas fronteiras, mas sim, por intermédio da ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e escolas, busquem influenciar desde as crianças e adolescentes, até mesmo os adultos, a serem pessoas tolerantes as diferenças, com a ajuda de representantes estrangeiros, que poderão fazer palestras nos colégios para toda a família, buscando assim, uma visão humanizada frente aos refugiados. E só assim, o Brasil será um dia, realmente cordial.