A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 27/08/2018

O termo xenofobia pode ser entendido como atitudes, preconceitos e comportamentos que rejeitam, excluem e difamam pessoas, com base na percepção de que eles são estranhos ou estrangeiros à sociedade ou identidade nacional. No Brasil, as denúncias dessa prática cresceram 633% no ano de 2015 em relação a 2014, foram 330 casos registrados pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, pela plataforma Disque 100, por outro lado, em 2014, foram apenas 45 denúncias. Logo, é extremamente importante discutir as consequências do etnocentrismo e da aversão ao estrangeiro.

De acordo com bases Darwinistas, o evolucionismo social afirma que toda sociedade começa de modo primitivo e evolui ao longo do tempo, ou seja, através de uma visão etnocêntrica ocorre a análise de outras culturas a partir de suas próprias, consideradas superiores. Segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, “nada no estado atual da ciência permite afirmar a superioridade ou a inferioridade intelectual de uma raça em relação à outra”. Como consequência, podemos citar o Nazismo, que ficou marcado pelos seus ideais antissemitas, isto é, preconceito e hostilidade contra o povo judeu, ademais, perseguiam, torturavam e matavam pessoas que não pertenciam a chamada “raça ariana”, defendida pelo partido Nazista como superior. O etnocentrismo põe uma cultura ou etnia no centro, enquanto o outro é marginalizado, de modo que a prática xenofóbica é permitida e inclusive incentivada.

O Brasil é conhecido por ser um país aberto a outras culturas e acolhedor, dado que é formado por diversos imigrantes, porém, a realidade mostra uma contradição em relação a esse ideal. Em um caso recente de violência contra imigrantes venezuelanos, em agosto de 2018, moradores de Pacaraima queimaram tendas e objetos pessoais dos estrangeiros, que acampavam no local em busca de refúgio, com o intuito de obrigá-los a voltar a seu país. Em práticas xenofóbicas, prevalece a ideia de que o migrante ocupa certa posição em determinado território que não lhe pertence, essa intolerância irracional só mostra que uma mudança comportamental é necessária.

Em última análise, a xenofobia pode ser relacionada com o etnocentrismo, tendo como resultado a incitação ao ódio. Portanto, é necessário que a sociedade se conscientize, através da prática do relativismo cultural, posto que, relativizar significa deixar o julgamento de lado, assim como se afastar da sua própria cultura a fim de entender melhor o outro, essa perspectiva pode ser incentivada em discussões públicas pelas redes sociais, em programas televisivos, na escola e no trabalho, com a finalidade de causar reflexão, mudança de mentalidade, e consequentemente a diminuição de casos xenofóbicos. Conforme Nelson Mandela, “para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.