A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2018

Desde a Revolução Francesa, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro, verifica-se isso no lema, baseado nos ideais iluministas, que levou a tal revolução: liberdade, igualdade e fraternidade. No entanto, quando se observa a questão da xenofobia, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal presente no lema é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Uma vez reconhecida essa realidade, é preciso pensar em soluções que revertam esse quadro insustentável, caso contrário, a transição do século XXI para o século XXII não passará de uma estagnação evolutiva.

Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 prevê, em seu preâmbulo, uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos. Porém, infelizmente, entre 2014 e 2015, houve um aumento de 633% no número de denúncias referente a casos xenofóbicos no Brasil. Em sua maioria, as denúncias referem-se a imigrantes, que buscam no território brasileiro, melhores condições de vida, viver em paz e harmônia com sua família. Ademais, são incluídos nessa elevada porcentagem, as ações como exclusão, intolerância e agressão, partindo de indivíduos que tem aversão a tudo que é estrangeiro. Nessa perspectiva, o Estado precisa agir para que, segundo o contratualista John Locke, não viole o ‘‘contrato social’’ e faça com que os indivíduos gozem dos seus direitos imprescindíveis.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra ‘‘Modernidade Liquida’’, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar indiferenças. Diante disso, durante as eleições de 2016, os nordestinos sofreram preconceitos de moradores do Sudeste, por apoiarem candidatos que acreditam na implantação de programas sociais como forma de diminuir a desigualdade social. Nesse sentido, um caminho para combater a xenofobia é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Zygmunt Bauman: o individualismo.

Por conseguinte, Nelson Mandela constitui que a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. É indubitável, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com as escolas, mobilize campanhas para alunos e para a comunidade, com o intuito de mostrar as vantagens e a importância de ter uma sociedade fraterna, para que seja possível viver pacificamente. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis mais severas que punam os agressores e em parceria com o Poder Judiciário, agilize o julgamento das ações, buscando diminuir os índices de denúncias. Por fim, a própria população deve agir corajosamente, não tolerando as agressões para que não se propague e discuta com os indivíduos como a convivência com diferente costumes, é benéfico para a sociedade.