A questão da xenofobia no Brasil

Enviada em 31/05/2018

É indubitável que o preconceito étnico mostrou-se intrínseco nas sociedade históricas, como na Grécia Antiga, onde os estrangeiros nem sequer  tinham direito de serem tratados como cidadãos. De maneira análoga, no Brasil tem-se um cenário semelhante ao que foi apresentado, pois o etnocentrismo cultural, somado à estigmatização das tradições do outro, trazem consequências negativas para a manutenção da pluralidade social. Portanto, deve-se conter o impasse, visando reprimir o sentimento de intolerância existente.

Segundo afirma o filósofo antropocêntrico Sócrates: " Não sou nem ateniense, nem grego, mas sim um cidadão do mundo." Consonante a essa abordagem, nota-se que a condição existencial humana sobrepõe-se a qualquer nacionalidade identificada. Entretanto, o sentimento de superioridade étnica, presente em inúmeros indivíduos preconceituosos, caracteriza-se por inferiorizar a identidade nacional de outros povos, julgando negativamente os hábitos culturais praticados por esse grupo na sociedade. Nesse viés, os recentes insultos contra Mohamed Ali, imigrante sírio taxado como “homem bomba” no Rio de Janeiro, revelam que a xenofobia continua presente no contexto social do país,  carenciando ser  ligeiramente desintegrada.

Outrossim, verifica-se que o sentimento xenofóbico encontra-se presente nas próprias dicotomias regionais do país. Isso ocorre devido às diferênças socio-econômicas presentes em regiões como o Nordeste, fazendo com que os retirantes desse território sejam estigmatizados de “miseráveis” ou “iletrados”, a exemplo de Fabiano, protagonista do livro “Vidas Secas”, que sofre injúrias do patrão por ser considerado um sertanejo analfabeto e ignorante. Dessa forma, o preconceito nacionalizado perpetua-se na sociedade hodierna, pois segundo a Secretaria de Direitos Humanos, entre 2014 e 1015 houve um aumento de 633% nas denúcios contra esse tipo de intolerância.

Portanto, dado o cenário de hotilidade contra imigrantes estrangeiros, ou mesmo moradores da própria nação canarinha, urge a mobilização do Ministério da Cultura, o qual deve criar um projeto denominado “caravana da cultura”, com oficinas de arte, música e aprendizado histórico, visando levar conhecimento ao público sobre os hábitos culturais que identificam outras nações. Isso pode ser feito juntamente com as mídias televisivas e sociais, que podem difundir campanhas de valorização do imigrante, espalhando imagens, vídeos e fotos que enalteçam o respeito mútuo ao outro, independentemente da nacionalidade individual. Atrelado a esse feito, cabe ás ONG’s nacionais acolherem os imigrantes, inserindo-os tanto mercado de trabalho, quanto na realidade socio-cultural brasileira, contribuindo para a permanência do pluralismo identidário que caracteriza o Brasil.