A questão da xenofobia no Brasil
Enviada em 28/05/2018
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos imigrantes, os quais buscam ultrapassar as barreiras as quais os separam do direito à conviverem harmoniosamente em sociedade sem serem alvos de discriminação ou intolerância. Nesse contexto, não há dúvidas de que o combate à xenofobia é um desafio no Brasil a qual ocorre, infelizmente, devido não só à negligência governamental, mas também ao preconceito da sociedade.
A Constituição cidadã de 1988 garante proteção integral ao imigrante, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não apenas de condições dignas de moradia, como também da preparação dos estrangeiros ao mercado de trabalho não estão presente em todo o território nacional, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos imigrantes no país. Tristemente, a existência da aversão contra estrangeiros é reflexo da valorização dos padrões criados pela consciência coletiva. No entanto, segundo o pensador e ativista francês Michel Foucault, é preciso mostrar às pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos históricos. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é fundamental para transpor as barreiras ao acolhimento pacífico de retirantes no Brasil.
Torna-se claro, portanto, que os entraves impostos ao combate da xenofobia é fruto de políticas governamentais mal elaboras e são acentuadas nos hábitos coletivos. A fim de que essa situação seja revertida, o Executivo Federal, por meio do Centro de Apoio ao Imigrante (CAMI), devem criar um plano nacional de medidas para dar o suporte a esses cidadãos, que poderiam ser realizadas por meio da nacionalização dessas pessoas, bem como a disponibilização dos serviços básicos como moradia, saúde e educação. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC), poderia realizar palestras nas escolas, para os alunos, a fim de desconstruir preconceitos existente contra as culturas diferentes e ressaltar à tolerância aos grupos mais atingidos como imigrantes, por exemplo. Posteriormente, o Governo, junto com os meios de comunicação, devem criar propagandas para a população em geral com o objetivo de diminuir os casos de preconceito e xenofobia.