A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/08/2021

O personagem Jeca Tatu, do escritor Monteiro Lobato, na obra ‘‘Urupês’’, era um retrato de maior parte da população brasileira no início do século XX, caracterizado por viver em situação degradante e de miserabilidade. Embora haja um lapso temporal de, praticamente, um século entre a crítica elaborada pelo autor, no Brasil contemporâneo é possível encontrar pessoas que vivem em condiçoes sub-humanas, como Jeca, passando fome. Nesse contexto, faz-se válido analisar a questão da fome no país, bem como seus elementos de origem.

Convém ressaltar, a priori, que o Estado brasileiro é, inquestionavelmente, ineficiente no âmbito de garantia dos direitos básicos, o que, sem dúvida, acaba contribuindo com o aumento da fome no território nacional. Isso ocorre porque, ao tomar como base o pensamento do historiador Sérgio Buarque de Holanda, em sua obra ‘‘Raízes do Brasil’’, os segmentos minoritários do país não gozam plenamente de seus direitos sociais, como a alimentação. Sob esse viés, é evidente a atuação pífia do Governo para combater a fome, uma vez que o Brasil é, de acordo com o FMI, um dos maiores exportadores de alimento e, ainda assim, possui habitantes -7 milhões, segundo o IBGE- em vulnerabilidade alimentar.

Outrossim, vale destacar que o interesse financeiro do agronegócio está acima do bem-estar geral, contribuindo para o cenário caótico, o qual continua a persistir na sociedade brasileira. Segundo o Ministério da Economia, 70% do alimento consumido pelo cidadão brasileiro é proveniente da agricultura familiar. Isso significa que quase tudo o que é produzido no agronegócio é exportado. Esse fato ocorre porque os produtores preferem consumidores estrangeiros, pois pagam em dólar ou euro. Dessa forma, o abastecimento interno fica deficitário, sem qualidade e caro, impossibilitando os brasileiros, principalmente os mais pobres, de comprar comida. Nesse contexto, fica clara a necessidade da atuação do Parlamento brasileiro em prol dos mais pobres para reverter a situação.

Portanto, diante do exposto, é imprescindível que o Ministério da Economia elabore, juntamente com o Ministério da Agricultura, um projeto a ser implementado o mais rápido possível, aprovado pelo Congresso Nacional. Tal projeto deve limitar a exportação do agronegócio, a fim de abastecer, com prioridade, o mercado interno, aumentando a oferta, o que acaba diminuindo os preços, tornando-os acessíveis a todos os brasileiros. Para isso, o Governo deve subsidiar parte da produção de grãos no campo e promover a distribuição com equidade em todos os estados da Federação. Destarte, será possível garantir um direito básico para os brasileiros, que não viverão mais em situação degradante, como o personagem lobateano.