A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 15/08/2021
“ O Quinze” e “Vidas Secas” são duas obras literárias que ilustram a fome e a miséria no Brasil desde o século 19. Hoje, dois séculos a frente, esse cenário ainda é uma realidade, devido a má distribuição de renda, ao desperdício exacerbado de alimentos e a falta de planejamento na distribuição.
Mais de 116,8 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar ou passando fome no Brasil, segundo pesquisa feita em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. A desigualdade social é um dos grandes motivadores da fome no país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 25,4% da população vive na linha de pobreza, e o maior índice se dá na região Nordeste, onde 43,5% da população se enquadra nessa situação.
A pobreza ocorre mais no interior do que nas capitais, o que mostra não só os problemas climáticos que acometem a região, como a seca que ameaça a agricultura, mas também o descaso com a população nordestina com a falta de planejamento de recursos emergenciais. Outro fator é a má distribuição de alimentos pelas regiões, de acordo com estudos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação , no Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, 50% do estoque se perde na distribuição de transporte, devido a embalagens impróprias que causam danos aos alimentos, e 30% nas centrais de abastecimento e comercialização. A População brasileira é responsável por desperdiçar 41 mil toneladas de alimento por ano, ou seja, não é só um problema econômico, mas também sociocultural, na qual o que se come passou a ser mais um bem de consumo do que uma necessidade e com essa má distribuição e ignorância no Brasil, a cada cinco minutos, morre uma criança. A maioria de doenças da fome. Cerca de 280 a 290 por dia.
Desse modo, já está mais que evidenciado que o crescimento econômico, por mais importante que possa ser, é absolutamente insuficiente para se acabar com a pobreza no país. Logo, evitando o desperdício nas casas com leis que controlem a quantidade e qualidade de alimentos desperdiçados por cada família .É também de total importância a padronização das embalagem para se adequarem ao tamanho e peso do produto, adequação da matéria-prima da embalagem para proteção do produto e melhoria no sistema de transporte e logística, e com isso, diminuindo a perda do produto e consequentemente, uma diminuição nos preços dos mesmos para que as camadas mais pobres possam ter acesso.