A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 12/08/2021

Pode-se afirmar que, em razão da pandemia de 2020, as desigualdades sociais antes observadas no Brasil e no mundo se tornaram ainda mais evidentes. Uma vez que, enquanto centenas de trabalhadores perderam seus empregos e passaram a viver em situação de vulnerabilidade social com o fechamento dos comércios, os números de milionários no planeta aumentaram em 10% em comparação com o ano anterior, segundo o Global Wealth Report. Isso deixa claro o fator mais preocupante de toda situação, que se trata da pobreza e fome causadas pela concentração de renda.

Sabe-se que, como cita o grupo As Meninas na música Xibom Bombom, no Brasil, “O rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre”, reflexo de um governo baseado no interesse das grandes empresas e daqueles que as regem. Tal política faz com que não haja amparo para o trabalhador caso este perca seu emprego, o fadando a cair para as estatísticas de miséria e insegurança alimentar. Em contraparte, 61% de todo desperdício alimentar é doméstico, segundo a ONU, e ocorre em sua maior parte em lares de alta renda.

Em adição, nem sempre esse alimento, considerado inadequado para consumo pelas classes mais altas, acaba realmente descartado. Como demonstra o curta metragem Ilha das Flores, onde diversos indivíduos em situação de pobreza extrema têm como única fonte de nutrição os alimentos trazidos por uma carreta de lixo. Dessa forma, é visível que a miséria é uma consequência da exploração, que deixa para que os explorados aproveitem o que é considerado o resto.

Cabe ao Governo Federal e aos seus ministérios a revisão dos programas de auxílio como o Seguro Desemprego e o Bolsa Família, para que aqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade possam receber uma quantia realmente suficiente para seu sustento e também do sistema tributário, como meio de ter a arrecadação adequada para a manutenção de tais programas, cobrando em maior quantidade aqueles que possuem maior renda. Desta forma, atenuando as desigualdades sociais, enquanto se permite à população uma saída para a pobreza. Permitindo, assim, a formação de um país mais igual e justo.