A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/08/2021
A questão da fome no Brasil infelizmente não é novidade. A pandemia do Coronavírus apenas salientou e intensificou a situação gravíssima que o país já vinha vivendo. Segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, 19,1 milhões de pessoas estavam passando fome no fim de 2020 e o número só cresce. A má distribuição dos alimentos e a concentração de renda na sociedade brasileira são fatores responsáveis pela conjuntura atual da fome. Sabendo que 40% da produção dos alimentos no Brasil são desperdiçados, segundo a FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura) fica claro que a questão da fome não está na falta, está na má distribuição dos alimentos. Diariamente são jogadas fora 41 mil toneladas de alimentos segundo o WFP (Programa Mundial de Alimentos) no Brasil, por indústrias, fazendas, mercados e dentro das casas. Esse desperdício é em larga escala e sistemático.
Ademais, a miséria é o principal agente da fome. No Brasil, 40% das riquezas estão concentradas nas mãos de 2% da população e 25,4% dos brasileiros vivem em situação de pobreza segundo o IBGE. Esse acúmulo de riqueza na mão de poucos impede que a maior parte da população tenha acesso a direitos básicos, entre eles alimentação de boa qualidade. Com o aumento do desemprego, a alta do preço dos perecíveis e a ausência de políticas públicas, além do baixíssimo salário mínimo, se torna inevitável a atual situação da fome no país.
Dessa forma, tornam-se necessárias campanhas de conscientização da população com relação ao consumo racional e o descarte exacerbado de alimentos através de propagandas nas redes sociais, rádio e nas escolas. Além disso, é urgente uma ação em larga escala, voltada para empresas, que sejam estimuladas pelo poder público a utilizarem os alimentos viáveis para o consumo, como alternativa para o combate premente à fome. Já a longo prazo, sabemos que a desigualdade social é de fato a raiz estruturante da insegurança alimentar e para atuar de forma efetiva na redução dessas desigualdades há de se ter um olhar e ações sistêmicas que envolvem diversas frentes e rupturas, inclusive com o sistema econômico vigente.