A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 14/07/2021
A Agenda 2030, plano global que busca promover uma vida digna a todos, possui como um de seus objetivos a erradicação da fome. No entanto, para que se cumpra de forma eficaz, situações como a insegurança alimentar evidenciada na sociedade brasileira devem ser combatidas com prioridade estatal. Nesse ínterim, sendo a alimentação uma necessidade básica e fundamental dos indivíduos, faz-se necessário o debate acerca dos empecilhos que impedem o acesso digno a ela, dentre os quais se destacam a má distribuição dos gêneros alimentícios e a desigualdade social.
A priori, é notório que a demanda alimentar não equivale à oferta. Nesse sentido, a despeito de o Brasil possuir índices exorbitantes de produção agrícola, a fome faz parte do cotidiano de substancial parcela da população e, nos últimos cinco anos, passou a atingir cerca de 3 milhões de pessoas - consoante o IBGE -, o que se explica pela destinação de maior parte da produção para o mercado externo, de modo a, por conseguinte, gerar internamente uma nação desamparada de seus direitos e necessidades básicas. Denuncia-se, pois, o quão padoxal é perceber que, embora o alimento exista, o interesse financeiro é priorizado em detrimento da segurança alimentar da coletividade.
Ademais, outro importante agravante do óbice é a discrepância socioeconômica. Acerca disso, Ariano Suassuna, insigne escritor brasileiro, defende que a nação brasiliana é dividida em duas vertentes: a dos privilegiados e a dos despossuídos. Sob essa esteira analítica, enquanto a parcela privilegiada possui com facilidade o acesso aos recursos alimentares, os despossuídos perduram sem a renda necessária para a garantia de sua subsistência, uma vez que os altos preços nos mercados acabam afastando-lhes de uma nutrição íntegra. Dessa forma, torna-se inadiável que o Estado atenue essa lamentável situação.
Portanto, é inadmissível que exista uma parte significativa do tecido civil afetada pela fome. Dessarte, urge que o governo federal, mediante a redução da cobrança de impostos ao setor do agronegócio, crie incentivos fiscais para tonificar o rendimento voltado ao mercado interno, tornando possível a diminição dos custos de compra para os cidadãos e a preservação do consumo a mais famílias. Além disso, é necessário que o Ministério da Cidadania, por meio de políticas públicas de transferência de renda, forneça alimento aos necessitados, a fim de fornecer o sustento desses indivíduos. Assim, espera-se efetivar os objetivos da Agenda 2030.