A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 12/07/2021

A Constituição federal de 1988 resguarda, no artigo 6º de seus postulados, que a alimentação é um direito social inerente a todos os cidadãos. Contudo, tal premissa não tem se legitimado com ênfase na prática quando se observa o quadro de fome no Brasil, o que impede a universalização desse direito tão fundamental à comunidade. Posto isso, medidas atitudinais e estruturais são necessárias para a revogação dos fatores que favorecem esse cenário.

Em uma primeira análise, vale ressaltar a ausência de ações governamentais para combater a fome. Nesse sentido, compreende-se que a atual posição do Estado perante a problemática desencadeia uma série de adversidades no meio social, como o constrangimento do indivíduo em necessitar pedir corriqueiramente alimento à vizinhança, e até mesmo danos à saúde, principalmente em crianças e idosos. Essa conjuntura, segundo as idéias do filósofo contratualista John Locke, viola o ´´contrato social´´, uma vez que o governo não cumpre sua função de garantir o direito à alimentação de todos, o que lamentavelmente é evidente no país.

Em um segundo plano, cabe mencionar a ausência de fraternidade da população brasileira como um fator potencializante. Consoante o sociólogo Georg Simmel, a ´´Atitude Blasé´´ ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença mediante às situações que ele deveria dar atenção. Diante de tal exposto, conclui-se que a naturalização da fome por parte dos cidadãos corrobora para a perpetuidade da problemática, visto que se ninguém procura conhecer quem são as pessoas à sua volta em condição escassa de alimentos, ninguém ajudará o próximo, visto que não se ajuda a quem não se conhece. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Infere-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, o Ministério da Cidadania, em parceria com os profissionais da Assistência Social, por intermédio de verbas governamentais, deve instituir em todos os municípios um projeto, com a participação popular, que distribua, mensalmente, cestas básicas às famílias que se encontram impossibilitadas de comprar comida o suficiente para sua subsistência, com vistas a contribuir na erradicação da fome no Brasil, um dos maiores produtores de gêneros alimentícios do mundo. Deste modo, se consolidará uma sociedade permeada pela legitimização dos rudimentos pautados na Magna Carta.