A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 09/07/2021

No livro “Vidas Secas”, Graciliano Ramos retrata a pobreza de uma família de retirantes sertanejos. Na obra, constata-se que a fome é uma das principais mazelas que assolam a sociedade. Fora da ficção, a falta de alimentos também se apresenta como um grave problema no país. Nesse âmbito, muitas pessoas carecem de recursos para comprar comida, situação que causa desnutrição e que, caso perdure, pode levar à morte. Tal problemática persiste por raízes econômicas vinculadas ao agronegócio e por conta do elevado desperdício alimentar, desde a produção até o consumidor final, levando à diversas consequências negativas para o corpo social brasileiro.

Em primeiro lugar, é importante destacar que grande parte da produção agrícola nacional é destinada ao mercado externo. Nesse viés, o jornal BBC News usa a expressão “sistema alimentar que produz desigualdade” para apresentar o fato de que, apesar de ser o terceiro maior produtor alimentício do mundo, o país destina a maior parte do que é produzido para a exportação, já que, assim, o lucro para o agronegócio é maior. Dessa maneira, percebe-se que o problema não é a falta, mas sim a má distribuição. Como consequência, mais de 10 milhões dos habitantes brasileiros vivem em insegurança alimentar, conforme dados do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Além disso, torna-se relevante analisar o desperdício como outra causa da adversidade. Nesse contexto, segundo a ONU Verde, campanha da Organização das Nações Unidas, cerca 15 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados por ano na nação, decorrente de falhas no transporte e nas centrais de abastecimento e de ações humanas, como o descarte desnecessário, em mercados e lares. Ainda de acordo com a organização, essa quantidade seria sufieciente para alimentar 9 bilhões de pessoas em um dia. Por conseguinte, a fome, que pode ser evitada, torna-se ainda maior. Sob tal ótica, a realidade apresenta discrepância em relação à Emenda Constitucional de 2010, a qual inclui a alimentação como um direito humano.

Observa-se, portanto, que as razões econômicas e sociais apresentadas intensificam a questão da fome no Brasil. Destarte, é necessário que o Estado, por meio de políticas públicas, combata a pobreza, fornecendo auxílios financeiros mensais e cestas básicas à população carente, a fim de que esta não enfrente mais a insegurança nutricional. Para mais, é preciso que a mídia, como o principal meio informacional, influencie os cidadãos a não desperdiçarem comida. Isso deve ser feito mediante o uso de campanhas publicitárias na televisão e na internet, para que os indivíduos auxiliem no combate à subalimentação. Somente com essas medidas, será possível construir uma sociedade mais saudável e igualitária.