A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/07/2021
Ao longo de toda a história brasileira há diversos fatores que contribuíram para a existência da fome. Nesse sentido, dentre eles, destaca-se o período colonial, no qual a concentração das riquezas estavam nas mãos dos poucos proprietários, que possuíam como prioridade o mercado exportador. Em paralelo, a Revolução Industrial e o processo de urbanização também foram grandes aliados nesse processo, uma vez que tais acontecimentos contribuíram para a marginalização dos menos favorecidos, promovendo a favelização, na qual a sociedade é cada vez mais dividida entre burguesia e proletariado. Nessa perspectiva, a fome permeia caminhos históricos, principalmente devido as desigualdades sociais e exportações dos produtos agrícolas.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a má distribuição de renda é um fator determinante para a fome no Brasil. Tal cenário, é resultante das discrepâncias socioeconômicas, na qual muitas famílias não possuem o básico, que vai desde á alimentação, há um nível de escolaridade e emprego com um sálario justo. Tal problemática, é retrada no livro Quarto de despejo, em que a autora e protagonista Carolina Maria de Jesus, relata as suas vivências na favela, onde vivia em condições de extrema probreza , sentia a dor da fome diariamente, e muitas vezes catava alimentos do lixo.
Por conseguinte, a exportação dos produtos agrícolas brasileiros também é um fator motivador. Segundo a Organização Mundial de Comércio, o Brasil é o segundo país que mais exporta alimentos no mundo, e isso ocorre devido ao lucro que as empresas têm, já que a maioria dos produtos são destinados as grandes potências. Tal fato, contribui diretamente para as desigualdades no âmbito das condições alimentares, visto que os alimentos no país tendem a ter preços menos acessíveis. Por esse viés, a fome não é resultado da falta de produção de alimentos, mas sim da falta do acesso a eles.
Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para superar o quadro atual. Para isso, urge que o governo, em parceria com o MEC, invista na educação da população mais vulnerável, a fim de promover mais oportunidades de conhecimento, e formação, para que, por consequência, aumente a renda a longo prazo. Outrossim, é fundamental que o setor da agricultura, em conjunto com o governo, invista na agricultura familiar, para que movimente a economia local e a produção dos alimentos, pois dessa forma, será possível contribuir também para a democratização da aquisição de alimentos, com um preço mais justo. Tomando medidas como estas, as vivências de Carolina em Quarto de Despejo poderão ser amenizadas.