A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 07/07/2021
Na obra em forma de diário “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus, que era moradora de uma das comunidades mais pobres de São Paulo, descreve constantemente a dificuldade de conseguir alimentos para si e para seus filhos, tendo que recorrer, muitas vezes, ao consumo de comida encontrada no lixo. Não distante da situação vivida pela escritora, mais de dez milhões de pessoas passam fome no Brasil atualmente. Isso se deve, principalmente, à má distribuição e à falta de estímulo para a produção familiar desses produtos essenciais.
Primeiramente, vale ressaltar que o Brasil se destaca como o terceiro maior produtor mundial de elementos voltados à nutrição humana. Apesar disso, mais de 5% da população brasileira passa fome de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso se origina de uma divisão ineficaz de derivados alimentícios, o que pode ser comprovado pelo fato de cerca de 40% de toda comida produzida em território nacional ser descartada de acordo com um órgão da Organização das Nações Unidas. Logo, é perceptível que a manutenção de milhões de habitantes sem acesso adequado a alimentos é estabelecida pela ausência de um controle de disposição eficiente desses mantimentos.
Paralelo a isso, apesar de a produção familiar ser responsável pela alimentação de 70% dos habitantes do País, ela é constante alvo de sucateamento por parte do Governo Federal, o qual vem reduzindo o auxílio aos produtores desse ciclo sob o pressuposto de investimento no agronegócio. A supervalorização desse último - voltado especialmente para a exportação - é responsável pela redução de incentivos a pequenos produtores do campo, os quais são obrigados a encerrar suas produções em muitos casos. Esse cenário reduz a quantidade de alimentos disponíveis, acarretando, consequentemente, no aumento do preço dessas mercadorias, a exemplo da alta no valor do arroz em 2020. Assim, diminui-se ainda mais a quantidade de indivíduos capazes de comprar esses itens.
Portanto, são imperativas medidas que ampliem o acesso à comida de qualidade aos brasileiros. Dessa forma, os governos municipais devem recolher alimentos apropriados ao consumo que seriam descartados, especialmente por restaurantes e mercados, por meio da criação de equipes de coleta desses recursos, a fim de estabelecer um estoque para divisão entre os moradores mais pobres do estado. Ademais, o Ministério da Agricultura, por meio de decretos, deve criar subsídios de apoio ao pequeno trabalhador rural. Essa ajuda precisa ser destinada, especialmente, àqueles que produzem a base da alimentação da nação, como o arroz e o feijão, com o intuito de abaixar o preço de itens alimentícios e aumentar o seu consumo pela população. Desse modo, relatos como o da obra “Quarto de despejo” se tornarão menos ordinários.