A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 09/07/2021
Em um trecho da carta de Pero Vaz de Caminhas sobre a fertilidade da terra encontrada, esse escrivão observou: “dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem”. Entretanto, tal exaltação da qualidade do solo brasileiro contrasta com o cenário da sociedade hodierna marcado pela fome ou pela insegurança alimentar, os quais podem ser explicados, então, pela exagerada concentração de renda presente desde a formação do Brasil, associada ao modelo agroexportador do país. Nesse sentido, fatores de ordem histórica e econômica caracterizam a problemátcia.
É importante pontuar, de início, o quanto as históricas estruturas da sociedade brasileira perpetuam as desigualdades sociais e acarretam diferenças quanto à maior ou à menor radicalização do problema entre as regiões brasileiras. Dessa forma, o Nordeste, região tradicionalmente negligenciada pelos gorvernos, juntamente com o Norte, representam as principais áreas, nas quais a questão da fome apresenta-se de forma mais grave e abrangente. Sob esse óptica, diversas obras literárias ratificam e denunciam esse cenário, como, por exemplo, o livro Vidas Secas, do autor Graciliano Ramos, o qual aborda de forma crítica as dificuldades econômicas e a fome, que assombra a família nordestina retratada.
Outrossim, vale ressaltar, como agravante, o modelo econômico agroexportador vigente no país, caracterizado pelos latifúndios monocultores. Apesar de contribuir com uma parcela do PIB( Produto Interno Bruto), o grande enfoque dado para esse setor deixa de ser atrelado ao incentivo à agricultura familiar, marcada pelas pequenas e médias propriedades e cuja existência determina o abastecimento de produtos orgânicos às feiras e aos supermercados. Todavia, a falta do fornecimentoo de subsídio por parte do governo para fomentar esse tipo de agricultura reduz essa produção e, com isso, leva ao aumento dos preços dos alimentos. Diante disso, faz-se marcante a lei da oferta e da procura, desenvolvida pelo economista Adam Smith, visto que essa teoria explica o aumento dos preços a partir da redução da oferta de um produto.
É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho histórico e econômico na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, a partir do Ministério da Agricultura, o papel de destinar maiores recursos e esforços para a radicalização da fome nas regiões com os piores índices do problema a fim de evitar maiores negligências quanto ao assunto. Tal medida pode ser efetivada por meio do incentivo à agricultura familiar, do fornecimento de subsídios a essas famílias e com a distribuição de terras e o assentamento de trabalhadores que se comprometam em contribuir com essa agricultura. Poder-se-á, assim, reduzir os preços dos alimentos e aplicar os conhecimentos de economia de Adam Smith.