A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 17/06/2021
No filme “Parasita”, lançado em 2019, é retratada tentativa de ascensão social da família do adolescente Ki-teak, que passa a dar aulas de inglês para uma garota da alta sociedade. Ao longo da trama, a narrativa revela como a família do garoto busca se infiltrar entre os familiares da menina, procurando sair da miséria. Fora das telas de cinema, a realidade apresentada no filme pode ser relacionada àquela do século XXI: a fome no Brasil é provocada, dentre outros motivos, pela má distribuição de renda e, consequentemente, pela desigualdade social.
Em primeiro plano, a renda no Brasil possui uma enorme diferença de concentração entre as camadas sociais. De acordo com a Folha OUL, no Brasil, cerca de 53% da população vive com R$850,00 (oitocentos e cinquenta reais) por mês, já os 5% mais pobres tem renda aproximada de R$165,00 (cento e sessenta e cinco reais) mensais. Em contra partida, 900 mil pessoas no país recebem R$28.600,00 (vinte e oito mil e seiscentos reais), representando menos de 1% da população. Assim, mais de metade dos indivíduos brasileiros lidam com a pobreza enquanto somete uma pequena parcela dos cidadãos detêm quase toda riqueza do país, criando ilhas de poder entorno das pessoas de baixa renda que não tem opção de compra e se encontram impossibilitados de adquirir itens básicos para a sobrevivência.
Consequentemente, a diferença de concentração do capital provoca a desigualdade social. Segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria da “Mais Valia”, aponta que o dono dos maios de produção recebe a maior parte dos lucros obtidos e uma pequena parcela é direcionada aos salários dos empregados, que possuem uma jornada de trabalho maior, ou seja, os trabalhadores não recebem devidamente por sua mão de obra. Logo, o trabalhador que está na base da pirâmide social, na maioria das vezes, não possui poder aquisitivo para obter o alimento necessário para sua subsistência, uma vez que, seu tempo de serviço não é recompensada justamente, fazendo com que uma parcela da população conviva com a fome.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, através do Congresso Nacional, por intermédio da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, promova um projeto de redistribuição de renda efetivo- aumentando o salário mínimo e promovendo o estado de bem estar social para auxiliar a parcela mais necessitada da população- a fim de reinserir os cidadãos no mercado de trabalho e diminuir a desigualdade social. Somente assim, será possível movimentar o capital na mão de mais pessoas e evitar o problema visto em “Parasita”.