A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 17/06/2021

No documentário “Ilha das Flores”, é retratada a situação precária vivenciada por pessoas desnutridas na sociedade, que consomem restos alimentícios para sobreviverem. Fora das telas, tal cenário tem se reverberado no corpo social, haja vista que a fome - infelizmente - ainda persiste no país. Essa realidade se deve, essencialmente, à lenta mudança da mentalidade social, bem como à falta de diálogo. Assim, é vital compreender como tais fatores sustentam esse panorama .

Antes de tudo, é importante enfatizar a normatividade como impulsionadora dessa triste realidade. Nesse sentido, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira de agir, dotada de exterioriedade, coercitividade e generalidade. Sob esse viés, os hábitos da sociedade podem ser encaixadas na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança observa seus pais ingorando a existência de pessoas famintas, ao se deparar com elas na rua, tende a adotar essa conduta como algo comum. Logo, é fulcral que esse costume equivocado seja combatido.

Além disso, é lícito postular a ausência de diálogo como semente desse entrave. A respeito disso, o filósofo Jürgen Haberman traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nessa perspectiva, é evidente que as mídias, escolas e as famílias não levantam debates sobre essa situação preocupante, o que não só favorece o crescimento incessante da fome , mas também uma desinformação da população, que não compreende a conjuntura degradante que está lidando.

Por fim, medidas devem ser tomadas para amenizar esse impasse. Portanto, urge que o governo federal - enquanto guradião do bem-estar coletivo - crie, por meio de um decreto federativo, um programa nacional de combate à fome. Tal programa deve promover campanhas públicas, com o intuito de alertar a população sobre a realidade desse lamentável empecilho . Somente assim, a situação demonstrada no  documentário “Ilha da Flores” será mitigado.