A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 17/06/2021

Em seu livro, o jornalista Gilberto Dimeinstein classifica alguns indivíduos como cidadãos de papel visto que eles restringem seus direitos apenas no papel constitucional. No Brasil, apesar da alimentação ser uma garantia básica e universal, observa-se a sua inexistência no cenário brasileiro, haja vista a desigualdade social como princípio, tornando a problemática ampla e diretamente ligada ao processo necropolítico atual.

Sob primeira análise, cabe ressaltar a desigualdade social como fator relevante para a contrariedade em questão. Segundo o geógrafo e escritor brasileiro Milton Santos, “Existem apenas duas classes sociais, a dos que não conteúdo, e a dos que não dormem com medo da revolução dos que não conteúdo”. Nesse viés, nota-se a diferença dos grupos existentes na sociedade, destacando a miséria da população pobre, advinda da má distribuição de renda feita pelas classes dominantes, sendo necessário uma revolução para reinvidicação de igualdade econômica e alimentícia.

Ademais, é válido destacar que, conforme o filósofo Mbemb, o governo tem o poder de decidir sobre a morte e a vida dos habitantes por meio da implementação ou não de políticas públicas. Dessa maneira, o legado da seleção de quem merece ou não possui o direito à comida tem domínio total governamental, implicando diretamente na saúde da minoria pobre, convergindo numa imunidade baixa, além da desnutrição, o que ressalta a alarmente necropolítica moderna.

Logo, é imprescindível elucidar esse impasse. Portanto, com vista para uma melhor distribuição de renda e acessibilidade no valor dos alimentos para a população carente, o Ministério da Cidadania juntamente com o Ministério da Economia, deve aumentar os investimentos direcionados ao projeto Bolsa família, já existe no regulamento brasileiro, garantindo 10 % do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro para que o serviço beneficie concretamente os necessidades desse recurso. Isso se desenvolve por meio da contratação de profissionais especializados na área, como economistas. Assim, espera-se que o cenário da cidadania de papel deixe de comprovar se no território nacional.