A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 18/06/2021
Segundo Thomas Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos civis, sociais e políticos para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar o quadro da fome no Brasil, percebe-se uma civilização que distancia da cidadania exposta por Marshall. À luz disso, quando se estudas os fatores que motivam tal cenário social, identifica-se não só a postura antiética do Estado, mas também o comportamento individualista do homem hodierno.
Em primeiro lugar, conforme o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob esse prisma, analisa-se a questão da fome no Brasil, dado que, apesar da alimentação ser um direito assegurado pela Constituição Federal, nota-se que a realidade destoa desse regulamento, pois, em 2014, por exemplo, mais de 7 milhões de brasileiros conviveram com a escassez alimentar. Esse cenário de avanço apenas no âmbito teórico revala a inoperância do Estado, uma vez que atos, como a corrupção, que imperam nesse órgão, dificultam a efetivação das leis que regem o país. Assim, a postura antiética do governo permite que o basilar seja negado a uma parcela da sua população.
Ademais, segundo o socólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria compartilhada para a sobrevivência do “eu”. Nesse sentido, constata-se que o sentimento individualista tece o comportamento do homem hodierno e, consequente, o torna indiferente diante das mazelas sociais. Consoante a isso, observa-se a insensibilidade, muitas das vezes, daqueles que não enfretam o quadro da fome, pois verifica-se que no mesmo país que há carência de alimentos, também existe a realidade do desperdício. Em vista disso, visualiza-se a dificuldade de coibir a fome em uma civilização moldada pelo egoísmo.
Logo, nota-se a necessidade de medidas para intervir nesse quadro de insegurança alimentar. Para tanto, compete à Polícia Federal desenvolver uma ação de combate à corrupção, por meio de uma força tarefa pautada na ampliação da fiscalização da verba pública, a fim de que o direito à alimentação seja efetivado para toda a população. Além disso, palestras devem ser realizadas em espaços públicos sobre os maléfios sociais oriundos do comportamento individualista, com o objetivo de conscientizar sobre a importância do altruísmo nas relações humanas. Diante disso, a sociedade desfrutará da cidadania substantiva de Thomas M.