A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 18/06/2021

O livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, trata-se de um diário que alude ao cotidiano da autora, moradora da favela do Canindé - em São Paulo - como catadora de papel, ao descrever a triste e difícil realidade da fome por ela vivenciada. Dessa forma, assim como a rotina degradante retratada pela escritora, que muitas vezes teve que recorrer ao lixo em busca de comida, muitos brasileiros, ainda no século XXI, são reféns da subalimentação. Com base nisso, é mister analisar o que motiva essa problemática, a saber, o alto desperdício de mantimentos, bem como sua má distribuição.

Nesse sentido, o desaproveitamento de comida está diretamente ligado a uma sociedade que permanece na cultura do consumo irrefletido. Isso se dá porque, em face dos meios midiátocos serem a principal fonte de informação, mas, também, de divulgação de produtos,  há um estímulo ao experimento de alimentos que, majoritariamente, é motivado pela propaganda. Dessa forma, ao tomar como base o longa-metragem brasileiro “Muito além do peso”, o qual demonstra a influência midiática na alimentação exacerbada, que está asssociada ao consumo que se inicia ainda na infância e que não se atenta ao desperdício, tem-se uma conjuntura que fica isenta da realide de muitos indivíduos que estão em estágio de padecimento.  Prova disso, é que o Brasil, segundo pesquisa realizada pela UOL, está entre os dez países que mais desperdiça alimentos no mundo.

Outrossim, observa-se que a persistência da fome em países subdesenvolvidos, como o cenário brasileiro, possui como ensejo o acesso desigual aos mantimentos. Nesse viés, partindo do pensamento do geógrafo Josué de Castro, para quem a questão da fome é resultado da má distribuição de alimentos, nota-se que as desigualdades sociais continuam reverberando na saúde do tecido social. Isso ocorre porque a base da economia vigente acaba por visar a exportação de commodities, por exemplo, enquanto o mercado interno é conduzido pela agricultura familiar, que possui métodos de produção arcaicos e que não garantem rentabilidade às familias que dela dependem para a subsitência.

Portanto, para resolver o impasse, cabe ao Ministério da Cidadania a elaboração de simpósios propagados por meios midiáticos, como internet e televisão, e redigidos por profissionais em Recursos humanos e pessoas que já vivenciaram a subalimentação, a fim de sensibilizar os indivíduos no tocante ao consumo e desperdício exacerbado de alimentos. Cabe, ainda, ao Ministério da Economia auxiliar as pessoas que estão em vulnerabilidade financeira, por meio de uma taxa de até um salário mínimo e meio, dependendo da renda bruta da família - processo seletivo que será feito a partir da análise socioeconômica da família - a fim de mitigar o padecimento desses indivíduos. Almeja-se, com essa medida, que o cenário vivenciado por Carolina de Jesus não seja mais realidade no Brasil.