A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores
Enviada em 15/06/2021
No livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, narra-se a história de Fabiano, um homem que tenta manter sua sobrevivência no sertão nordestino diante da miséria, da fome e da exploração trabalhista. Nesse contexto, a deficiência de condições básicas para a vida retratada no livro, levam o personagem, por vezes, a se desconsiderar humano. Ainda que fora da ficção, os dilemas que compõem o desequilíbrio e insegurança alimentar na sociedade brasileira hodierna denotam um cenário caótico semelhante ao exposto na obra de Graciliano. Dessa maneira, é necessário analisar as causas sociais e políticas que perpetuam essa realidade.
Primeiramente cabe pontuar a concentração de renda como fator impulsionador para desigualdade social. Nesse sentido, em pesquisas divulgadas no ano de 2019 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil ocupava a segunda posição mundial em maiores concentrações de renda. Relacionando tal fato à realidade contemporânea, esse fato enfatiza a ideia de que grande parte da população detém menor riqueza, o que gera o desenvolvimento de insegurança alimentar e fome nas classes sociais menos favorecidas. Dessa forma, sem intervenção estatal para auxiliar tais cidadãos ao desenvolvimento profissional e melhoria de capital, o obstáculo da fome se mantém constante.
Ademais, a má distribuição de recursos alimentícios aliada ao descaso governamental agrava tal situação. De acordo com dados divulgados em 2019 pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Brasil está entre os maiores produtores de alimentos do mundo. Entretanto, o grande volume de exportação, somado à ausência de políticas públicas que visem repartição de recursos entre a população de baixo poder aquisitivo estimula a exacerbação dos índices de fome nacional. Por isso, medidas são necessárias para a resolução desse impasse.
Fica claro, portanto, que para solução das raízes problemáticas que desencadeiam a questão da fome no Brasil, o Estado precisa tomar providências com resultados à curto e à longo prazo. Por isso, cabe ao Governo Federal, poder executivo do país, potencializar, por meio de investimento de verbas, projetos sociais antigos como o Fome Zero e incentivar a adesão social à ONGs voltadas para alimentação pública tal como a iniciativa “Gente do Bem”. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, órgão provedor da educação nacional, formular , por intermédio do desenvolvimento de polos de capacitação profissional, projetos gratuitos que visem educar e empregar cidadãos de baixo poder aquisitivo que vivem em insegurança alimentar. Somente assim, espera-se que o desequilíbrio social nacional seja amenizado e que, diferente da obra de Graciliano, a fome no Brasil possa ser um obstáculo superado.