A questão da fome no Brasil e seus fatores motivadores

Enviada em 14/06/2021

A teoria do geógrafo Thomas Malthus defendeu que o crescimento populacional seria superior ao de alimentos, fato primordial para o desencadeamento da fome. Entretanto, tal teoria foi considerada errada, pois não houve a previsão de que os recursos à disposição da humanidade cresceriam também. Nesse contexto, os fatores motivadores da questão da fome no Brasil são outros, como a má distibuição de renda e o descaso social.

A princípio, a concentração do capital colabora com a fome, uma vez que o acesso às fontes nutricionais é dificultado, pela falta de condições financeiras entre os mais carentes. Nesse sentido, essa situação é parte da exclusão da população mais pobre, como, no livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, em que é retratado a condição de miséria dos personagens do sertão, consequência, principalmente da falta de políticas públicas e da concentração de rendas em áreas mais favorecidas, semelhante, à região nordeste que sofre com a falta de investimentos e de renda que favorecem a desnutrição. Logo, o quadro da falta de alimentos nessas regiões está relacionado à carência de investimentos regional.

Paralelo à isso, está o descaso social, visto que a população prefere manter seus luxos a se solidarizar com aqueles que precisam de ajuda. Nessa circunstância, o individualismo discutido pelo sociólogo Sergio Buarque de Holanda, tratado como parte do " jeitinho brasileiro", está interligado à fome no Brasil, já que ela se trata de um problema coletivo, mas que é ignorado pela maioria das pessoas que não se comovem com a condição de carência do outro. Assim, essa ação social corrobora com a acentuação da fome, pois os cidadãos não demostram empatia com a pobreza nutricional do próximo.

Portanto, a fome não deve ser  realidade em uma nação que visa ao progresso. Diante disso, é dever do Governo criar programas de assistência social, por meio de coletas de dados das regiões mais pobres, com cadastros gratuitos de informações dessas localidades para que os agentes comunitários possam fazer visitações e preencher formulários para conseguir o auxílio governamental ainda distribuir vales alimentação em parcerias com os mercados e empresas alimentícias, a fim de que a fome não assole os lares brasileiros. Ademais, cabe às prefeituras com ajuda dos cidadãos disponibilizarem estabelecimento de arrecadação e distribuição de cesta básica, por intermédio de campanhas de coletas que não só haja incentivos quanto as doações, mas também demonstre a importancia de uma ação conjunta, para que a fome deixe de ter o individualismo como um de seus fatores motivadores.