A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 12/07/2022
A questão da fome sempre foi um dos principais problemas em debate no Brasil, com a pandemia da Covid-19 e a eventual crise global proporcionada por ela, era inevitável que o número de brasileiros que sofressem com a fome aumentassem. Assim, é necessário que seja discutido sobre como a pandemia colocou o Brasil em patamares dos anos 90 e refletir sobre as principais pessoas afetadas pela fome.
Primeiramente, de acordo com o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, da Rede Penssan, o número de brasileiros que são atingidos pela fome chegam a 33 milhões, dados coletado entre Novembro de 2021 a Abril de 2022. Além disso, de acordo com pesquisadores, esses números são similares aos do início da década de 90, uma época em que o Brasil saía da conhecida ‘‘década perdida’’, os anos 80, uma época de alta inflação e crises políticas. Com isso, percebe-se o forte impacto da pandemia sobre o território nacional ao colocar o país em patamares de seu assombroso passado.
Ademais, o Inquérito também mostra sobre como os lares das pessoas negras e pardas foram os principais afetados, atingindo a marca de 65% sofrendo com alguma restrição alimentar, em especial nas regiões Norte e Nordeste. Desse modo, fica evidente sobre como as consequências provocadas por uma crise atingem, principalmente, a parcela populacional de regiões mais carentes, sendo que negros e pardos, pessoas que já sofrem com a desigualdade racial e são socialmente marginalizadas, serão os mais afetados, de modo que esses dados deixam evidente a vulnerabilidade delas numa situação de crise, a qual deve ser combatida.
Em vista disso, conclui-se que o impacto da pandemia no país é crítico e que em situações de crise a população mais marginalizada é a mais afetada. Portanto, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Economia, órgão que executa políticas fiscais do país, em criar políticas públicas que visem uma melhor distribuição de renda entre as diversas regiões do país e sua população, a fim de que o impacto de eventuais crises futuras e da atual sejam atenuados e as famílias consigam garantir o básico para sobreviver, em especial alimentos.