A questão da fome em tempos de pandemia

Enviada em 09/07/2022

No livro “1984”, de George Orwell, é narrada uma distopia social na qual, fundamentado pela busca da igualdade, o Grande Irmão centraliza o poder e passa a comandar tal realidade. Em determinado capítulo, Winston, personagem principal, descreve seu alimento como sendo enlatado e sem gosto. Fora da literatura, a situação vivida por Winston se aproxima da desigual realidade contemporânea, já que, conjurada ao contexto pandêmico, a alimentação tem sido comprometida. Dessa forma, com relação à pandemia, deve-se analisar as causas da fome, bem como suas consequências.

Em primeira análise, é notável que, durante o período de isolamento social, intensificou-se a desigualdade que já era histórica. Nesse sentido, uma vez que as relações de trabalho foram interrompidas em escala global, a pandemia aumentou o desemprego, a falta de renda e, principalmente, a crise econômica. Ademais, a derrocada de políticas públicas de assistência social tem mostrado que o Estado precisa intervir e garantir o que é proposto pela Constituição, a qual expõe, em seu artigo 6º, que todos têm o direito à saúde, educação, alimentação, trabalho e mais. Destarte, enquanto a negligência estatal existir, a fome continuará assolando parte da população.

Consequentemente, são terríveis os resultados de uma sociedade sem acesso à alimentação. Nessa lógica, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 61,3 milhões de brasileiros estão passando fome. De fato, quando a população carece de oportunidades, suas condições básicas de sobrevivência são reduzidas, de modo que tornam-se comuns a mortalidade e doenças, como a subnutrição. Essa relação tende a barrar, além disso, o desenvolvimento nacional.

Por conseguinte, notam-se os problemas relacionados à fome no Brasil. Nessa ótica, o Ministério da Família, da Mulher e dos Direitos Humanos, órgâo que visa garantir os direitos à população, deve criar, por meio de verba pública, um auxílio que permita suprir a necessidade individual e comunitária. Além disso, o Ministério da Cidadania deve pedir, nas redes sociais, apoio popular, a fim de arrecadar alimentos para distribuição. Assim, será possível combater a fome.