A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 29/07/2022
A tortuosa história do Brasil, contada por Schwartz e Starling no livro “Brasil: uma bibliografia”, apresenta as persistentes desigualdades enfrentadas pelos grupos que frequentam as periferias sociais brasileiras, a citar, a parcela que vive sem acesso a uma alimentação regular. A fome sempre foi um problema que assombrava os nichos mais marginalizados. Com a pandemia, o direito a uma refeição se torna uma grande conquista. Assim, faz-se necessário entender os entraves que impedem as pessoas de poderem se alimentar com dignidade, a ludir, a omissão do Estado e a falta de visibilidade para a pauta, no sentido de desbancar tais bases prejudiciais.
Primeiramente, cabe analisar a relação do Estado com o direito à alimentação. Isto posto, ausência de políticas públicas e programas de redistribuição de renda, resulta na fragilização desse segmento desfavorecido. J. Rawls afirma, em sua obra “Uma teoria de Justiça”, um governo que se intitula ético é aquele que disponibiliza recursos para todos os setores públicos. Nesse contexto, é evidente que o Brasil não é um exemplo ao pensamento do teórico, isto que negligencia as dificuldades dos sujeitos que convivem com a escassez de comida, os impedindo de gozar plenamente de seus direitos.
É conveniente destacar a nítida invisibilização da pauta no campo social. Nesse tocante, a “Teoria do Traste”, elaborada por M. Barros, tem como principal característica perceber as situações frequentemente esquecidas e ignoradas. Acerca dessa lógica, compreende-se que o imaginário brasileiro não segue tal viés, visto que os debates sobre a fome, seguem distantes das pautas comumentes discutidas, contribuindo, então, para a naturalização de ações que deveriam ser problematizadas.
Urge pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de coibir tal entrave. Para isso, o Ministério do Desenvolvimento Social deve implementar políticas de enfrentamento à fome, voltadas ao público periferico, como a construção de restaurantes comunitários. Destarte, cabe destacar a importancia de promover debates, nas escolas, ministradas por docentes, sobre a fome como um problema social que deve ser enfrentado de forma coletiva.