A questão da fome em tempos de pandemia
Enviada em 12/07/2022
“A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo”. Essa máxima é atribuída a Dostoiévski, escritor do século XIX, e exprime a tendência humana de se adequar às situações. De fato, o hábito está associado às mais variadas condutas. Contudo, torna-se um problema quando limita a sociedade como o aumento da insegurança alimentar no Brasil. Hodiernamente, a fome em tempos de pandemia é factual e ocorre devido ao aumento progressivo do desemprego e inflação no país.
Nesse viés, há o contexto social. Sob esse aspecto, de acordo com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -, existe na União cerca de 50 milhões de brasileiros, dos quase 215 milhões, vivendo na linha da pobreza. Além disso, a fome (tal como o vírus da covid-19) também se alastrou no Brasil dado que em 2022 a população registrada como de extrema miséria chegou a 23 milhões de pessoas - mais do que o dobro dos anos anteriores à 2019. Desse modo, é evidente o aumento da fragilização socioeconômica e, por consequência, a ausência de comida na rotina de muitos lares de famílias brasileiras.
Em seguida, tem o cenário financeiro compartilhado por todas as unidades federativas. Nesse sentido, segundo o portal de notícias Folha de São Paulo, com o comércio fechado nos períodos de “lock-down”, observou-se o aumento de demissões nos setores de serviços em todos os estados. Assim, com a falta de trabalho ofertado, a geração de renda no país ficou fragilizada. Com isso, houve o aumento da inflação que interferiu no acesso a alimentos básicos (como arroz, feijão e proteínas) pela elevação de seus preços - como noticiado pela BBC Brasil. Dessa forma, essa realidade fomenta a fome em sincronia ao avanço do vírus.
Portanto, a alta do desemprego e da inflação potencializa os corpos famintos no atual surto epidêmico no Brasil. À vista disso, o governo federal, órgão responsável por zelar pelos cidadãos, deve promover a abertura de concursos com uma cota maior de cargos reservados à população menos favorecida. Dessa maneira, por meio dos órgãos públicos e com a verba de impostos recolhidos pela União, essa ação irá gerar renda para a alimentação dos mais necessitados e reabituará o homem ao seu novo meio, com jus a uma de suas próprias definições.